A guerra comercial entre Estados Unidos e China voltou com força. E, com ela, o Brasil pode sair ganhando — especialmente no mercado de soja.
Hoje, o Brasil já é o principal fornecedor do grão para os chineses: 75% da soja brasileira vai para lá, e 70% da soja que a China importa vem daqui. O segundo maior fornecedor? Os Estados Unidos, com 23% do volume, o equivalente a cerca de US$ 12 bilhões por ano.
Mas esse cenário está mudando.
Tarifas mais altas, soja em novas rotas
Nos últimos meses, os dois países aumentaram as tarifas de importação. Os EUA impuseram taxas de até 145% sobre produtos chineses. A China respondeu com retaliações de até 125% sobre bens americanos — incluindo grãos e soja.
O governo chinês deixou claro: esses produtos são “altamente substituíveis”. Ou seja, se parar de comprar dos EUA, o país terá outras fontes. E a mais relevante é o Brasil.
De fato, a movimentação já começou. Apenas no porto de Ningbo-Zhoushan, no sul da China, 40 navios com soja brasileira foram esperados só em abril. Um aumento de quase 50% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Já vimos esse filme antes
Em 2018, durante outra fase da guerra comercial entre EUA e China, o Brasil também foi chamado para suprir a soja que os americanos deixaram de vender.
Naquele ano, o preço da soja brasileira disparou. O Brasil passou a representar 75% da soja importada pela China — um recorde que nunca mais voltou ao patamar anterior.
Agora, o enredo se repete.
E o Brasil está preparado
Enquanto os produtores dos EUA planejam reduzir em 4% a área plantada com soja, os agricultores brasileiros devem colher a maior safra da história.
Segundo estimativas da Conab, a produção em 2025 pode chegar a quase 168 milhões de toneladas — um crescimento de 14% em relação ao ano anterior.
Além disso, o timing ajuda. Historicamente, as exportações brasileiras ganham força a partir do segundo trimestre. Já as dos EUA começam a cair nesse mesmo período.
Um espaço que pode virar conquista permanente
A China representa 60% de toda a soja comprada no mundo. A demanda por carne aumentou com o crescimento da classe média, e a soja virou essencial para alimentar porcos e aves — as proteínas favoritas do país.
Se as barreiras comerciais entre EUA e China continuarem, o Brasil tem tudo para ampliar — e talvez consolidar — sua posição como principal fornecedor do grão.