A decisão do governo Donald Trump de substituir sobretaxas emergenciais por uma tarifa global de 15% sobre importações altera de forma relevante o equilíbrio comercial entre os Estados Unidos e seus principais parceiros. Para o Brasil, o efeito é objetivamente positivo.
Estudo do Global Trade Alert indica que a tarifa média aplicada às exportações brasileiras destinadas ao mercado americano recua de 26,3% para 12,7%. A redução de 13,6 pontos percentuais é a mais expressiva entre as grandes economias que vendem aos EUA.
Em termos práticos, considerando que os Estados Unidos importaram aproximadamente 42,2 bilhões de dólares em produtos brasileiros em 2024, a nova estrutura pode representar um alívio potencial próximo de 5,7 bilhões de dólares em tarifas. Trata-se de uma mudança que impacta diretamente margens, competitividade e fluxo comercial.
A alteração ocorre após a Suprema Corte americana limitar o uso da IEEPA, legislação voltada a situações de emergência nacional que vinha sendo utilizada para justificar as chamadas tarifas recíprocas. Diante da decisão judicial, Trump acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a aplicação temporária de tarifas por até 150 dias sem necessidade de aprovação do Congresso. O novo regime entra em vigor imediatamente e deverá vigorar até julho, salvo eventual extensão.
A padronização em 15% não beneficia apenas o Brasil. Países que vinham sendo alvo direto de sobretaxas também registram redução relevante. A China vê sua carga média cair 7,1 pontos percentuais e a Índia, 5,6 pontos. Economias asiáticas exportadoras como Vietnã, Tailândia e Malásia também melhoram sua posição relativa.
Em contrapartida, aliados históricos dos Estados Unidos perdem vantagem competitiva. O Reino Unido, que havia negociado tarifas em torno de 10% para diversos produtos, passa ao piso global de 15%. Itália e Singapura também enfrentam aumento da carga média. A uniformização reduz distorções, mas redistribui custos.
Embora o impacto imediato para o Brasil seja favorável, o ambiente ainda é marcado por incerteza. O governo americano já sinalizou a possibilidade de abrir investigações com base na Seção 301, instrumento tradicionalmente usado para avaliar práticas comerciais consideradas desleais. Caso esse caminho seja adotado, novas medidas podem ser impostas.
No curto prazo, porém, a mudança amplia a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e melhora a previsibilidade para exportadores. Em um cenário global de tensões comerciais recorrentes, a redução da tarifa média representa ganho concreto de margem e fôlego financeiro.