Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump reacendeu sua cruzada tarifária — e os números mostram que ela está gerando resultados concretos para os cofres públicos. Em apenas seis meses, a política de elevação de impostos sobre produtos importados fez com que os Estados Unidos triplicassem sua arrecadação mensal com tarifas.

Segundo dados oficiais, os EUA arrecadaram US$ 28 bilhões apenas no mês de junho de 2025, valor três vezes maior do que a média mensal de 2024. O salto vem na esteira de uma elevação dramática na tarifa média efetiva sobre bens importados: de 2,4% em 2024 para 18,2% em julho de 2025 — o maior nível desde 1934, segundo o Budget Lab da Universidade de Yale.

Embora essas tarifas sejam cobradas sobre produtos estrangeiros, quem de fato paga a conta são as empresas americanas que importam esses bens — o que acaba impactando preços ao consumidor e custos na cadeia produtiva doméstica.

Redução do endividamento… até certo ponto
O impacto imediato nas contas públicas é relevante. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), órgão independente de vigilância fiscal dos EUA, estima que as tarifas aplicadas entre janeiro e maio de 2025 devem reduzir o endividamento público americano em US$ 2,5 trilhões até 2035.

Mas o próprio CBO aponta que o efeito líquido dessa política pode ser neutralizado. Isso porque a queda de receita com os novos cortes de impostos promovidos pela administração Trump deve anular boa parte da arrecadação extra gerada pelas tarifas.

Além disso, o órgão alerta que o crescimento econômico será menor do que seria sem as medidas tarifárias. A elevação de custos na cadeia produtiva e o impacto negativo sobre exportações podem conter investimentos e produtividade no longo prazo.

Custo na prateleira
Ainda que a arrecadação tenha crescido, os consumidores americanos estão começando a sentir os efeitos no bolso. O índice de inflação ao consumidor subiu de 2,4% em maio para 2,7% em junho. E itens importados como eletrodomésticos, brinquedos, livros e equipamentos esportivos já registram aumento de preços.

Pesquisadores da Harvard Pricing Lab, que monitoram preços online em grandes varejistas americanos, constataram que os produtos afetados pelas tarifas — tanto importados quanto domésticos com componentes estrangeiros — estão encarecendo num ritmo superior aos bens que ficaram fora das medidas.

Até agora, o efeito foi amortecido por estoques acumulados no início do ano, quando empresas correram para antecipar pedidos antes da entrada em vigor das tarifas. Mas essa folga está chegando ao fim.

O efeito colateral: déficit comercial maior
Um dos principais argumentos de Trump ao impor tarifas é reduzir o déficit comercial dos EUA, especialmente com parceiros como China, México e União Europeia. Mas os dados até aqui mostram o efeito oposto: o déficit comercial de bens chegou a um recorde de US$ 162 bilhões em março, antes de recuar para US$ 86 bilhões em junho.

Isso porque as importações subiram no início do ano (por conta do estoque antecipado) e as exportações cresceram pouco. Economistas apontam que o déficit americano não decorre apenas de práticas comerciais desleais, mas de um desequilíbrio estrutural: os EUA historicamente consomem mais do que produzem.