Com os preços menos atrativos nos Estados Unidos e a crescente incerteza comercial global, investidores estrangeiros têm buscado novos destinos. E o Brasil voltou ao radar.

Segundo dados prévios da B3, até o dia 22 de maio, o saldo de capital externo na bolsa já era de R$ 10,1 bilhões — praticamente o mesmo volume de entrada observado em todo o acumulado até abril (R$ 10,9 bilhões). Com isso, o fluxo estrangeiro já soma R$ 21 bilhões no ano.

“O início de maio ainda teve aversão ao risco com o tarifaço, e não havia uma direção clara no cenário doméstico. Agora, a expectativa de corte na taxa de juros beneficia setores ligados à economia local”, explica Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura.

O cenário tem refletido também na bolsa: na semana passada, o Ibovespa rompeu pela primeira vez o patamar dos 140 mil pontos. Apesar da correção recente, metade dos analistas ainda acredita que o índice terminará 2025 acima desse nível.

A entrada de capital externo vai além da bolsa. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil somou US$ 5,5 bilhões em abril — alta de 41% em relação ao mesmo mês de 2024. A maior parte veio na forma de participação no capital de empresas, que totalizou US$ 6,6 bilhões. Já as operações intercompanhias (como amortizações de empréstimos entre matriz e filial) ficaram negativas em US$ 1,1 bilhão.

O número superou as expectativas do mercado, que projetavam US$ 4,9 bilhões para o mês. No acumulado do ano, de janeiro a abril, o IED soma US$ 27,3 bilhões. Em 12 meses, o volume equivale a 3,19% do PIB.

Descontando os investimentos feitos por brasileiros no exterior (US$ 1,2 bilhão), o IED líquido do mês ficou em US$ 4,3 bilhões — uma alta de 58% na comparação anual.

“O IED segue bastante robusto, mesmo com o cenário global ainda desafiador. Isso mostra que o investidor estrangeiro mantém confiança na economia brasileira”, comenta Borsoi.

Ele lembra que esse tipo de capital tem foco de longo prazo, diferente do investimento em ações ou títulos. “Esse movimento pode refletir desde os leilões de infraestrutura até investimentos produtivos como a nova fábrica da BYD, na Bahia.”

Nos investimentos estrangeiros em carteira, medidos separadamente pelo BC, o saldo também foi positivo: R$ 509 milhões. O destaque foi o ingresso de R$ 1,95 bilhão em títulos de dívida, que compensaram a saída de R$ 1,44 bilhão em ações e fundos de investimento.