À primeira vista, 2025 parece o ano da retomada dos IPOs em Nova York. Mas, por trás da onda de estreias na bolsa, um dado chama atenção: a quantidade de empresas listadas nas Bolsas americanas é hoje apenas metade da que existia há três décadas.

Segundo dados do Banco Mundial, em 1996 — auge da bolha das “ponto com” — os EUA tinham quase 8,1 mil companhias abertas. Hoje, restam pouco mais de 4 mil.

A onda de fechamentos de capital

A redução não se explica pela falta de estreias, mas pelo movimento inverso: companhias decidindo sair da bolsa. Em agosto, a Electronic Arts (EA) foi comprada por US$ 55 bilhões em um dos maiores leveraged buyouts da história. A varejista Walgreens e a fabricante de calçados Skechers seguiram o mesmo caminho. E há conversas de que a AES, gigante do setor de energia, pode ser adquirida por US$ 38 bilhões pela General Infrastructure Partners, da BlackRock.

O raciocínio é simples: longe dos holofotes de Wall Street, executivos evitam a pressão por resultados trimestrais e podem tomar decisões de longo prazo. Além disso, o custo regulatório para ser listada cresceu significativamente nas últimas décadas, o que torna a vida como companhia privada mais atraente.

IPOs ainda fazem sentido?

Apesar do encolhimento, abrir capital não deixou de ser uma estratégia valiosa. Na semana passada, a Neptune Insurance estreou na bolsa com uma alta de 24% no primeiro pregão. Para o CEO Trevor Burgess, listar a empresa é uma forma de ganhar visibilidade de marca e manter independência, em vez de virar parte de um conglomerado maior.

A era dos megadeals

Especialistas veem a compra da EA como um divisor de águas. “É o sinal verde para a volta das transações gigantes”, avalia Kyle Walters, da PitchBook. Juros mais baixos nos próximos trimestres — com novos cortes esperados pelo Federal Reserve — devem estimular fusões e aquisições alavancadas.

Ainda assim, há limites. Segundo o BofA Securities, apenas 3,7% das empresas com grau de investimento seriam candidatas viáveis a operações como a da EA. Ou seja, mesmo que o fechamento de capital seja tendência, dificilmente veremos uma debandada em massa.

O que esperar daqui para frente

O mercado acionário americano deve continuar sua metamorfose: menos empresas listadas, mas negócios cada vez maiores. Wall Street pode estar encolhendo em número, mas crescendo em escala e complexidade.