A Petrobras anunciou nesta semana a primeira redução no preço da gasolina em 2026, acompanhando a queda recente das cotações do petróleo no mercado internacional. A partir desta terça-feira, o valor médio de venda do combustível às distribuidoras passa a ser de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14 — o equivalente a um recuo de 5,2%.

Apesar do corte, os preços praticados pela estatal ainda permanecem acima da paridade internacional. Estimativas do setor indicam que a gasolina vendida no Brasil continua cerca de 5% mais cara do que o nível observado no mercado externo, mesmo após o ajuste.

Este foi o terceiro corte consecutivo desde meados do ano passado. Em junho, a Petrobras reduziu o preço pela primeira vez após um longo período de estabilidade. Em outubro, promoveu novo ajuste, levando o litro de R$ 2,85 para R$ 2,71. Agora, com a nova redução, o valor se aproxima dos patamares observados antes da escalada do petróleo em 2023 — ainda que sem eliminar completamente a diferença em relação ao exterior.

Na prática, o impacto ao consumidor final tende a ser limitado. Analistas estimam que a queda nas bombas deve ficar entre 1% e 2%, uma vez que o repasse depende das distribuidoras, da carga tributária e da política de preços dos postos.

Pressão competitiva e perda de mercado

A decisão da Petrobras ocorre em um momento de crescente pressão competitiva. Importadores independentes vêm ampliando participação no mercado brasileiro de gasolina, aproveitando tanto a queda do petróleo no exterior quanto a valorização recente do real frente ao dólar. Em alguns períodos, esses agentes chegaram a responder por até 20% do volume comercializado, oferecendo combustível a preços mais baixos.

Ao reduzir a gasolina, a estatal sinaliza uma tentativa de recompor competitividade e conter o avanço dos importadores. Ainda assim, a manutenção de preços acima da paridade indica uma estratégia cautelosa, evitando movimentos mais agressivos em um cenário de elevada volatilidade internacional.

Diesel fica de fora — e gera debate

Um ponto que chama atenção é a decisão de manter inalterado o preço do diesel. Diferentemente da gasolina, o diesel brasileiro vem sendo vendido abaixo do valor de referência internacional há várias semanas. Em alguns momentos recentes, a diferença chegou a superar 7% na média.

Essa assimetria reacende o debate sobre a previsibilidade da política de preços da estatal. Enquanto a gasolina vinha acima da paridade e foi ajustada para baixo, o diesel segue em patamar inferior ao externo, o que desestimula importações e pode gerar desequilíbrios de oferta no médio prazo.

Para parte do mercado, essa escolha reforça a leitura de que fatores políticos também influenciam a decisão, dado o impacto sensível do diesel sobre custos logísticos, inflação e transporte público.

Queda acumulada desde 2022

Segundo a Petrobras, desde dezembro de 2022 o preço da gasolina nas refinarias já acumula uma redução de R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação do período, isso equivale a uma queda real próxima de 27%.

No caso do diesel, a redução acumulada desde o fim de 2022 é ainda maior em termos reais, superando 35%, após o último corte realizado em maio do ano passado. Desde então, o valor permanece congelado.