As compras de ouro por bancos centrais começaram o ano em ritmo mais moderado, influenciadas pela volatilidade recente do preço do metal. Ainda assim, a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio continua sustentando o interesse global pela commodity como instrumento de diversificação de reservas.

Nos últimos meses, o ouro voltou ao centro das atenções do mercado internacional, reforçando seu papel tradicional como ativo de proteção em momentos de instabilidade.

China mantém estratégia de acumulação

Entre os compradores mais relevantes, o Banco do Povo da China segue ampliando suas reservas. Em fevereiro, a instituição acrescentou 30 mil onças-troy de ouro às suas reservas, elevando o total para 74,22 milhões de onças, o equivalente a cerca de 2.308 toneladas.

A aquisição marca o 16º mês consecutivo de compras, dando continuidade ao ciclo de acumulação iniciado em novembro de 2024. O movimento reforça a estratégia chinesa de diversificação das reservas internacionais, reduzindo gradualmente a dependência de ativos denominados em dólar.

Movimento misto no mercado

O comportamento recente do ouro reflete uma disputa entre forças distintas no mercado.

Durante momentos de forte turbulência financeira, investidores costumam recorrer ao metal como proteção. No entanto, em alguns episódios de estresse extremo, o ouro também pode ser vendido para gerar liquidez — especialmente quando os preços atingem níveis historicamente elevados.

Esse movimento foi observado recentemente, quando parte dos investidores aproveitou as máximas históricas para realizar lucros e direcionar recursos para títulos públicos considerados mais seguros.

Ainda assim, após a correção inicial, o metal voltou a ganhar força e superou novamente o patamar de US$ 5 mil por onça, impulsionado pela retomada da demanda por ativos capazes de preservar valor em ambientes de risco elevado.

Compras globais desaceleram no início do ano

Dados recentes mostram que o volume de compras líquidas de ouro por bancos centrais caiu no começo do ano.

Em janeiro, as aquisições somaram cerca de cinco toneladas, número bem abaixo da média mensal de 27 toneladas registrada ao longo dos últimos 12 meses. A desaceleração foi liderada principalmente por países da Ásia Central e do Leste Asiático.

Perspectiva ainda favorável para o metal

Apesar da pausa temporária em algumas compras oficiais, analistas avaliam que o cenário estrutural continua favorável ao ouro.

A combinação de tensões geopolíticas persistentes, diversificação de reservas e incerteza econômica global tende a sustentar a demanda pelo metal ao longo de 2026.