Entre as chamadas “7 Magníficas”, um nome chama atenção não apenas pelo peso que carrega, mas pelo preço em que está sendo negociado. A Amazon, dona de um dos maiores impérios de tecnologia e logística do mundo, opera hoje com múltiplos de lucro futuro próximos das mínimas históricas — cenário que, para alguns, pode ser o maior ponto de entrada em anos.

O preço de uma gigante

As ações da Amazon estão sendo precificadas a 29,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Parece muito? Não quando se olha para a história recente. Em 2018, esse múltiplo chegou a 169 vezes. Mais recentemente, a média de 2024 era de 36,5 vezes. Ou seja: a empresa está agora 42% abaixo de sua média de cinco anos e 60% abaixo da média de dez anos — o maior desconto entre as gigantes que compõem o seleto grupo de Big Techs.

Por que tão barata?

O mercado tem questionado se os dias de crescimento explosivo da Amazon ficaram para trás. Parte das dúvidas recai sobre a AWS, braço de computação em nuvem, que precisa provar sua capacidade de capturar o boom da inteligência artificial. Outro ponto é a percepção de que a empresa perdeu fôlego no timing estratégico da IA, enquanto concorrentes como Microsoft, Nvidia e Alphabet ganharam protagonismo.

O resultado: a Amazon se tornou a ação de pior desempenho do grupo em 2025.

Mas será mesmo o fim do crescimento?

Alguns gestores discordam. Jonathan Cofsky, da Janus Henderson, vê na queda uma oportunidade: “É difícil imaginar alguém superando a expertise da Amazon em varejo e logística. Somado ao avanço em IA, pode ser um ponto de virada.”

A empresa já vem cortando custos, acelerando a automação e regionalizando operações para aumentar eficiência. Além disso, a parceria com a Anthropic — startup de IA que desponta no setor — pode se tornar um motor de crescimento nos próximos trimestres, segundo análise do Wells Fargo.

Oportunidade camuflada

O mercado já mostrou como as percepções podem mudar. Poucos meses atrás, havia quem apontasse a Alphabet como uma empresa em risco de ser engolida pelo ChatGPT. Hoje, é a segunda melhor ação de Big Tech no ano, atrás apenas da Nvidia.