A OpenAI anunciou a aquisição da io, startup de hardware de inteligência artificial cofundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, em um negócio avaliado em US$ 6,5 bilhões. Essa é a maior aquisição já realizada pela criadora do ChatGPT e marca a entrada definitiva da empresa no universo do hardware de consumo.
Com o acordo, a OpenAI passa a contar com uma nova divisão voltada exclusivamente ao desenvolvimento de dispositivos com IA integrada, sob liderança criativa de Ive e outros veteranos da Apple — os mesmos que participaram da criação de produtos como iPhone, iPod, iPad e Apple Watch.
Uma nova fase para IA e design
A aquisição é estratégica: não apenas adiciona expertise em design e engenharia de ponta, como também posiciona a OpenAI para criar novas formas de interação entre humanos e máquinas. Segundo Sam Altman, CEO da OpenAI, os dispositivos planejados com a equipe da io não são versões incrementais do que já existe, mas sim um novo tipo de produto. “É o momento de pensar além do smartphone”, afirmou.
Ive reforçou a ideia, dizendo que a colaboração com Altman representa uma nova etapa em sua carreira. “Sinto que tudo o que aprendi nas últimas décadas me preparou para isso”, afirmou.
Detalhes do acordo
O valor total do negócio envolve:
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US$ 5 bilhões em ações da OpenAI pela aquisição direta da io;
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A incorporação de uma participação de 23% que já havia sido comprada em 2024;
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Transferência de cerca de 55 profissionais da io — engenheiros, designers e especialistas em manufatura — que agora passam a integrar a equipe da OpenAI.
A LoveFrom, empresa de design fundada por Ive após sua saída da Apple em 2019, continuará independente, mas será responsável por liderar toda a identidade visual e de produto da OpenAI, incluindo o software do ChatGPT.
Rivalidade crescente com Apple
A movimentação aumenta a pressão sobre a Apple, que tem enfrentado dificuldades em acompanhar o ritmo da revolução da inteligência artificial. Muitos dos profissionais agora sob o guarda-chuva da OpenAI foram responsáveis diretos pela evolução do design do iPhone, e agora estão desenvolvendo dispositivos com foco em IA que podem competir diretamente com os produtos da Apple — ou inaugurar uma nova categoria.
A Apple, até o momento, tem lançado iniciativas pontuais em IA, mas ainda depende da própria OpenAI para operar funcionalidades como o suporte a chatbots. A migração de talentos como Evans Hankey, Tang Tan e Scott Cannon para a nova operação da OpenAI simboliza uma ruptura significativa com o passado da gigante de Cupertino.
O que vem por aí?
A nova unidade da OpenAI, com sede em São Francisco, já trabalha no desenvolvimento de dispositivos voltados à era da inteligência artificial geral — conceito que prevê que máquinas atinjam habilidades cognitivas humanas.
Altman e Ive não deram detalhes sobre os produtos em desenvolvimento, mas adiantaram que os primeiros lançamentos devem acontecer em 2026 e que a proposta é repensar o papel dos dispositivos pessoais na era da IA. Eles afirmam que não têm a intenção de substituir o smartphone, mas sim apresentar um novo tipo de interface.
“Estamos na fase terminal das interfaces atuais. Ainda não descobrimos o equivalente da interface gráfica do usuário para IA, mas chegaremos lá”, afirmou Altman.
Concorrência no radar
Apesar da empolgação, o setor de hardware com IA ainda é incipiente. A Meta (Facebook) teve relativo sucesso com seus óculos inteligentes Ray-Ban, enquanto produtos como o Humane AI Pin e o Rabbit r1 receberam críticas severas. Ive, aliás, não poupou palavras ao se referir a esses experimentos: “Esses foram produtos muito ruins”, disse.
Para a OpenAI, o investimento é também uma forma de consolidar sua posição como líder não apenas em software de IA, mas também em experiências físicas e cotidianas com a tecnologia. A empresa também negocia outras aquisições, como a startup de codificação com IA Windsurf, avaliada em US$ 3 bilhões.