Com preços competitivos e forte aposta na eletrificação, as montadoras chinesas estão transformando o cenário automotivo brasileiro. Hoje, já respondem por mais de 10% das vendas de carros no país — e o número de marcas vinda da China não para de crescer.
GWM inaugura fábrica no Brasil e amplia aposta
A Great Wall Motors (GWM) abre, em 15 de agosto, sua fábrica em Iracemápolis (SP), em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A unidade, que antes pertencia à Mercedes, foi adaptada para produzir inicialmente 30 mil veículos por ano, com meta de chegar a 50 mil em pouco tempo. O portfólio inclui modelos elétricos, híbridos a gasolina e plug-in, além de versões a diesel voltadas para o mercado de luxo e o agronegócio do Centro-Oeste.
A expectativa é montar 50 mil unidades anuais e reforçar a presença chinesa no segmento premium. A planta também prevê a produção de híbridos-flex, em parceria com fornecedores como Bosch, e investirá R$ 10 bilhões no Brasil até 2032, sendo R$ 4 bilhões liberados até 2026.
China ocupa espaço no ranking
Segundo a Anfavea, os carros leves chineses representaram 62,1% dos veículos importados no Brasil no primeiro semestre de 2025. A soma das vendas de BYD, Caa Chery e GWM já coloca as marcas na quarta posição nacional, atrás apenas de Volkswagen, Fiat e GM. Somente em julho, três dessas montadoras venderam 110.856 unidades, alta de 26,5% em relação ao mesmo período de 2024.
Cinco novas marcas — incluindo GAC, Omoda e Jaecoo — passaram a figurar no ranking da Fenabrave este ano. A estratégia não é disputar com carros populares, mas atuar em nichos de maior valor agregado, com preços entre R$ 95 mil e R$ 120 mil.
Impacto no mercado e reações
Enquanto as chinesas avançam, as montadoras tradicionais sofrem: as vendas de veículos produzidos no Brasil caíram 10% no varejo no primeiro semestre, levando a Anfavea a reduzir a projeção de crescimento anual de 6,3% para 5%. A disputa esquentou com pedidos da BYD para reduzir tarifas de importação de kits SKD e CKD, medida criticada por concorrentes como Volkswagen, GM, Toyota e Stellantis, que alegaram risco a R$ 180 bilhões em investimentos.
O governo optou por um meio-termo: rejeitou a isenção total, mas concedeu cota de importação com tarifa zero por seis meses, no valor de US$ 463 milhões, e antecipou o aumento da alíquota máxima de 35% para veículos desmontados para 2027.
Por que a China mira o Brasil
A indústria chinesa vive excesso de produção, resultado de barreiras impostas por EUA e Europa. O Brasil surge como mercado promissor, com consumo aquecido e espaço para novos players. A qualidade dos carros chineses evoluiu muito nos últimos 15 anos, e o mercado nacional de elétricos e híbridos ainda é incipiente, o que favorece a entrada dessas marcas.