O Estado de Nova York enfrenta um rombo fiscal acumulado de US$ 34,3 bilhões para os próximos três anos, o maior desde a crise financeira de 2009. O aumento de 25% em relação às estimativas anteriores é impulsionado por cortes expressivos nas verbas federais, desaceleração econômica e crescimento acelerado das despesas obrigatórias, especialmente em Medicaid e educação.

O orçamento estadual aprovado para 2026 prevê gastos de US$ 254 bilhões, sendo mais de US$ 112 bilhões destinados ao Medicaid — 44% do total — e US$ 37 bilhões para apoio às escolas. Mesmo com a alta nas despesas, o plano também inclui um corte de mais de US$ 2 bilhões em impostos para a classe média, como tentativa de aliviar os efeitos da inflação.

A economia local dá sinais de desaceleração: entre janeiro e maio, o crescimento do emprego foi de apenas 4.600 vagas por mês, contra 19.100 no mesmo período do ano passado. Esse cenário pressiona ainda mais a arrecadação, com previsão de queda tanto no imposto de renda quanto nos tributos corporativos.

Além do impacto imediato nos serviços públicos, as mudanças no repasse federal devem provocar perdas anuais de quase US$ 13 bilhões para o sistema de saúde e programas sociais do estado, além de afetar iniciativas de energia limpa e resiliência climática.

O novo cálculo do déficit reacende o debate sobre aumentar impostos para grandes empresas e milionários, defendido por alguns parlamentares e candidatos à prefeitura de Nova York. Já a governadora Kathy Hochul mantém a posição de não elevar tributos no próximo ano, apostando em cortes e ajustes para equilibrar as contas.