O mês começa com o Ibovespa sob forças opostas.

De um lado, o petróleo em forte alta impulsiona ações da Petrobras e dá continuidade ao bom desempenho recente do índice. De outro, novas tarifas impostas pelos EUA e o corte na perspectiva do Brasil pela Moody’s aumentam a cautela no mercado.

Na sexta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que dobrará as tarifas sobre o aço importado. A alíquota passa de 25% para 50% já nesta semana. A justificativa: proteger a indústria americana e barrar o dumping. “Ninguém vai escapar dessas tarifas”, afirmou Trump.

A decisão reacende tensões comerciais com países como Brasil, México e Canadá. E vem acompanhada de declarações duras sobre Taiwan. A China reagiu, acusando os EUA de “brincar com fogo” e negando qualquer violação do acordo comercial firmado em Genebra.

O resultado foi imediato: bolsas asiáticas e europeias recuaram, os futuros em Nova York abriram em queda, e os juros dos Treasuries subiram.

No Brasil, o ambiente doméstico também pesa. A agência Moody’s rebaixou a perspectiva do rating soberano de positiva para estável. Segundo a agência, a mudança reflete uma piora nas condições fiscais e na capacidade de pagamento da dívida.

Ao mesmo tempo, o Boletim Focus trouxe leve revisão na projeção de inflação para 2025, que subiu para 5,46% — acima do teto da meta. As expectativas para a taxa Selic se mantiveram.

Ainda assim, o petróleo ajuda a contrabalançar os riscos. O barril do tipo WTI sobe mais de 3% após a Opep+ confirmar que manterá o ritmo de produção em julho. Já o minério de ferro não operou por conta de feriado na China, mas recuperou parte das perdas de abril ao longo de maio.

No pré-mercado em Nova York, os ADRs da Petrobras avançavam 1,47%. Os da Vale, leve alta. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos EUA, operava estável.

Além disso, o dia será movimentado por indicadores importantes e falas de dirigentes de bancos centrais.

Nos EUA, saem os PMIs industriais, acompanhados de discursos de Jerome Powell e outros membros do Fed. No Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de reuniões com o FMI e Febraban, além de um debate sobre a conjuntura econômica brasileira.

Apesar da turbulência, o Ibovespa acumulou alta de 1,45% em maio — e já soma quase 14% de valorização em 2024. Resta saber se esse fôlego se mantém em meio à nova rodada de tensões comerciais, riscos fiscais e dados mistos da economia.