A Microsoft retomou o posto de empresa mais valiosa do mundo nesta semana, deixando a Apple para trás em meio à crescente tensão entre Estados Unidos e China. A troca de posições no ranking das gigantes do mercado acontece após a Apple sofrer uma perda de valor de mercado de mais de US$ 200 bilhões — impulsionada por preocupações com novas tarifas comerciais propostas por Donald Trump, caso ele volte à presidência.
A proposta do ex-presidente, que lidera as pesquisas para as eleições de 2024, prevê tarifas de até 60% sobre importações chinesas. Isso acendeu um alerta vermelho entre investidores, principalmente para empresas como a Apple, altamente dependente da produção na Ásia. A perspectiva de que o iPhone 16 Pro Max possa ficar até US$ 350 mais caro nos Estados Unidos devido ao aumento de custos logísticos e tributários gerou forte reação no mercado.
Em apenas quatro dias de negociação, as ações da Apple caíram cerca de 23%. Com isso, a gigante de Cupertino teve sua capitalização reduzida para US$ 2,59 trilhões. A Microsoft, por outro lado, mesmo enfrentando uma queda de 7% no mesmo período, demonstrou maior resistência, alcançando US$ 2,64 trilhões em valor de mercado.
Segundo relatório do banco americano Jefferies, empresas como Apple, Amazon e Tesla estão entre as mais vulneráveis às tarifas, enquanto a Microsoft figura entre as mais protegidas, por ter menos exposição à manufatura chinesa e uma presença forte no setor de software e serviços corporativos. Hoje, a divisão de nuvem da Microsoft representa 43% da receita total da empresa — e continua em expansão.
A retomada da liderança pela Microsoft sinaliza uma possível mudança no equilíbrio de forças no setor de tecnologia. Em um ambiente de incerteza política e comercial, companhias menos dependentes de cadeias produtivas globais e com maior foco em serviços digitais tendem a ser vistas como investimentos mais seguros.