Os grandes vencedores do mercado global em 2025 vieram quase todos de fora do radar brasileiro. Ouro, metais estratégicos, defesa e inteligência artificial concentraram os holofotes, impulsionados por um ambiente marcado por incerteza econômica, transição energética acelerada e tensões geopolíticas persistentes.

Nesse contexto, o Brasil claramente não ocupa posição de protagonismo. Ainda assim, isso não significa que o mercado local esteja condenado a ficar à margem desses movimentos. Pelo contrário: há canais indiretos — e relevantes — pelos quais empresas listadas na B3 podem capturar parte desse ciclo global.

O ponto central está menos em “temas da moda” e mais em forças estruturais. A valorização das commodities, a busca global por ativos de valor depois de anos de excesso em crescimento, e a demanda crescente por recursos naturais e infraestrutura criam um pano de fundo que favorece determinados segmentos da economia brasileira.

O rali dos metais preciosos, por exemplo, não depende de inovação tecnológica local. Ele é sustentado por compras institucionais, movimentos de proteção cambial e aumento da demanda por ativos reais. Empresas brasileiras com exposição consistente a ouro e cobre acabam se beneficiando desse ambiente, ainda que não estejam no centro do debate global.

O mesmo vale para o setor de defesa. O Brasil não lidera a agenda geopolítica, mas companhias com produtos consolidados, presença internacional e contratos governamentais conseguem capturar parte do aumento global nos orçamentos militares, especialmente em países desenvolvidos que vêm reforçando sua capacidade defensiva.

No campo da transição energética e da inteligência artificial, o efeito é ainda mais indireto, porém poderoso. A expansão de data centers, redes elétricas, sistemas de armazenamento e infraestrutura de transmissão aumenta a demanda por equipamentos, motores, transformadores e soluções industriais. Empresas brasileiras bem posicionadas nesses elos da cadeia passam a atuar como fornecedoras de um crescimento que acontece fora do país, mas exige base produtiva global.

Há também reflexos no setor elétrico. A pressão crescente sobre o consumo de energia, impulsionada por tecnologia, indústria e eletrificação, tende a valorizar ativos de geração e distribuição, sobretudo em mercados onde a oferta não cresce na mesma velocidade da demanda. Esse desequilíbrio estrutural pode favorecer empresas com capacidade disponível ou portfólios mais flexíveis.

Por fim, mudanças regulatórias e ciclos de patentes no setor farmacêutico criam oportunidades locais que nada têm a ver com o Brasil ser ou não protagonista global. Quando medicamentos de alto custo se tornam mais acessíveis, toda a cadeia — da indústria à distribuição — pode se beneficiar de aumento de volume, tráfego e recorrência de consumo.