Apesar da forte correção que atingiu o mercado de metais preciosos nas últimas semanas, o banco central da China segue ampliando suas reservas de ouro, reforçando o papel do metal como pilar estratégico de suas reservas internacionais.

Dados divulgados no fim de semana mostram que o Banco Popular da China adicionou cerca de 1,24 tonelada de ouro às suas reservas no mês passado. Com isso, a autoridade monetária completa 15 meses consecutivos de compras, um ciclo iniciado em novembro de 2024 e mantido mesmo em meio à elevada volatilidade recente dos preços.

O movimento chama atenção porque ocorre logo após um período de forte estresse no mercado. Ouro e prata haviam alcançado máximas históricas em janeiro, impulsionados por fluxo especulativo intenso, antes de sofrerem uma das maiores quedas em anos no fim do mês. Desde então, os preços tentam se estabilizar, mas seguem sujeitos a oscilações relevantes à medida que investidores ajustam posições e realizam lucros.

Ainda assim, para os bancos centrais — e especialmente para a China — o horizonte parece ser outro. A compra contínua do metal sugere uma estratégia menos sensível a movimentos de curto prazo e mais focada em diversificação cambial, proteção contra riscos geopolíticos e redução da dependência do dólar.

Esse comportamento não é isolado. No quarto trimestre de 2025, as compras globais de ouro por bancos centrais ganharam força, levando o volume total adquirido no ano para mais de 860 toneladas. Embora o número fique abaixo das mais de 1.000 toneladas registradas em cada um dos três anos anteriores, o nível ainda é considerado elevado em termos históricos.