O clima nos mercados virou. Pelo segundo dia consecutivo, o Ibovespa subiu com força e fechou em alta de 1,76%, atingindo um novo recorde histórico de 138.963 pontos. No acumulado de 2025, o índice já registra uma valorização de 15,5%.
O dólar também recuou, encerrando o dia em queda de 1,34%, cotado a R$ 5,608 — o menor nível em sete meses. A combinação de fatores internos e externos ajudou a alimentar o apetite por risco, tanto de investidores locais quanto estrangeiros.
Trégua comercial e inflação mais branda animam os mercados
Um dos gatilhos para essa euforia foi o acordo provisório entre Estados Unidos e China, anunciado no início da semana, com redução temporária nas tarifas de importação entre os dois países. A medida esfriou a guerra comercial e trouxe alívio para as projeções de crescimento global.
Além disso, dados mais suaves de inflação nos EUA reacenderam as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) pode encerrar ou até reverter seu ciclo de alta de juros em breve.
“Apesar de as tarifas ainda estarem altas, a trégua trouxe uma revisão para cima nas estimativas de crescimento global”, explica Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset.
Em Nova York, o clima também era de recuperação. O índice Nasdaq subiu 1,8%, enquanto o S&P 500 avançou 0,7%, voltando a acumular ganhos no ano — um contraste com o cenário de queda visto semanas atrás.
Juros no Brasil próximos do pico?
No cenário interno, a leitura da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) reforçou a percepção de que a Selic está próxima do seu teto, atualmente em 14,75%.
A sinalização do Banco Central de que os efeitos do ciclo de alta ainda estão sendo absorvidos trouxe alívio ao mercado de juros futuros. Os contratos para janeiro de 2026 caíram para 14,78%, enquanto os de janeiro de 2027 recuaram para 14,01%.
“A ata indicou que o BC está muito perto de encerrar o ciclo de aperto”, afirma Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.
Estrangeiros voltam para a Bolsa
A perspectiva de juros mais estáveis, combinada ao alívio no cenário global, tem atraído investidores estrangeiros de volta à B3. Segundo Matheus Amaral, especialista em renda variável do Banco Inter, o momento favorece a retomada de fluxo internacional, especialmente em ações de setores mais ligados ao ciclo econômico.