A JBS, maior produtora de proteínas do mundo, acaba de dar um passo decisivo rumo à sua consolidação como uma gigante global. Em uma assembleia marcada por forte expectativa, os acionistas aprovaram a proposta para que a empresa passe a ter ações negociadas também na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), além da B3, no Brasil. A estreia está prevista para o dia 12 de junho.

A decisão não foi simples. Parte dos acionistas minoritários tinha dúvidas em relação à nova estrutura de controle e à proposta da empresa de criar uma classe especial de ações com mais poder de voto para os controladores. Ainda assim, a proposta passou — principalmente graças à presença e ao voto dos investidores que compareceram presencialmente à sede da JBS no dia da assembleia.

Vale lembrar que os dois maiores acionistas da companhia — o BNDESPar e a família Batista — abriram mão do voto, como forma de garantir mais transparência e equilíbrio ao processo.

O que muda na prática?

Com a aprovação, os papéis da JBS passarão a ser negociados diretamente nos Estados Unidos, por meio de uma nova empresa controladora com sede na Holanda, chamada JBS N.V. Os atuais acionistas brasileiros da JBS receberão BDRs (certificados que representam ações listadas no exterior) em troca de suas ações. Para cada duas ações da JBS, o investidor receberá um BDR.

Apesar da mudança, as operações da empresa continuam funcionando normalmente. Marcas como Friboi, Seara, Pilgrim’s e outras unidades de carne bovina e de frango, tanto no Brasil quanto nos EUA, seguem sob controle da JBS como conhecemos hoje.

Por que isso é importante?

A listagem na NYSE permite que a JBS se aproxime do mercado financeiro internacional, com acesso facilitado a capital estrangeiro. Além disso, a empresa passa a concorrer diretamente por espaço entre gigantes globais como a Tyson Foods, o que pode, ao longo do tempo, elevar o valor de mercado da companhia.

Outra expectativa é que, com essa nova estrutura, a JBS fique mais próxima de entrar no índice S&P 500, um dos mais importantes dos Estados Unidos — o que aumentaria sua visibilidade e atratividade entre grandes fundos globais.

O recado do mercado

Nos bastidores, o movimento já vinha ganhando força. Dias antes da votação, o BNDESPar — braço de investimentos do banco estatal — vendeu parte de sua participação na empresa, aumentando o número de ações em circulação e atraindo novos investidores favoráveis à proposta.

Agora, com a aprovação, a JBS reforça seu posicionamento como uma multinacional com ambição de crescer ainda mais. O movimento representa não só um marco para a companhia, mas também um símbolo de maturidade do mercado brasileiro, com empresas cada vez mais conectadas ao mundo.