A prévia da inflação brasileira ganhou um pouco mais de força em novembro. O IPCA-15 — indicador considerado um termômetro antecipado da inflação oficial — subiu 0,20% no mês, após alta de 0,18% em outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (26).

O resultado veio ligeiramente acima do esperado pelo mercado, que projetava repetição do avanço anterior. E o principal motivo da surpresa tem endereço conhecido: passagens aéreas. As tarifas dispararam 11,87% e foram, isoladamente, o item que mais pesou no índice.

Na leitura de 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 4,50%, voltando a tocar o teto da meta do Banco Central pela primeira vez desde janeiro — um movimento simbólico em um ano marcado por pressões de serviços, reacomodação de combustíveis e volatilidade cambial.

O que mais puxou a inflação do mês

Despesas pessoais foi o grupo com maior variação (0,85%) e o maior impacto no índice. Hospedagens e pacotes turísticos ajudaram a empurrar a inflação para cima, refletindo demanda aquecida e alta de preços típica do fim de ano.

Em seguida, aparecem Saúde e cuidados pessoais e Transportes, ambos adicionando 0,04 ponto percentual ao IPCA-15. No caso da saúde, o destaque foi o avanço dos planos (0,50%). Nos transportes, as passagens aéreas roubaram a cena como o maior impacto individual do mês.

Entre os combustíveis, o movimento foi inverso: gasolina, etanol e diesel recuaram, levando o subgrupo a uma queda de 0,46%.

Alimentação e bebidas, após cinco meses de alívio, voltou ao campo positivo — alta de 0,09%. Nas prateleiras de casa, o comportamento ainda foi misto: leite, arroz e frutas seguem pressionando menos, enquanto batata inglesa, carnes e óleo de soja subiram. Fora de casa, refeição e lanche ficaram mais caros.

Em Habitação, a inflação desacelerou, com energia elétrica residencial voltando a cair mesmo sob bandeira tarifária vermelha patamar 1. Já aluguel e condomínio avançaram.

Vestuário e Educação também tiveram leves altas. Comunicação e Artigos de residência ficaram no negativo.