A nova onda de tarifas impulsionada pelo governo Trump está causando um rombo de bilhões na indústria automobilística global. Enquanto montadoras lutam para se ajustar, consumidores e investidores já sentem o impacto.
Pesadelo de Bilhões
A Toyota foi uma das primeiras a divulgar o tamanho do problema: o impacto em seu lucro operacional pode chegar a US$ 9,5 bilhões ainda este ano fiscal, o que levou a empresa a revisar sua estimativa de resultados — e registrar o primeiro prejuízo na América do Norte em anos.
Nos Estados Unidos, a pressão é igualmente intensa. A General Motors projeta um impacto entre US$ 4 e 5 bilhões; a Ford, cerca de US$ 3 bilhões; e a Stellantis estima prejuízos na casa de US$ 1,7 bilhão.
Uma pesquisa especializada indica que a aplicação de uma tarifa de 25% sobre importações de veículos deve custar ao setor norte-americano cerca de US$ 108 bilhões por ano, elevando o custo de cada veículo importado para até US$ 8.600.
Além disso, a Honda já registrou uma queda de 50% no lucro operacional no último trimestre — uma redução atribuída a 450 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 1,7 bilhão) em despesas extras com tarifas.
O Grande Dilema das Montadoras
Repasse ao consumidor: Com margens cada vez mais comprimidas, aumentar preços pode custar vendas.
Deslocar produção para os EUA: Uma alternativa, mas que exige investimentos gigantes e leva anos.
Compras antecipadas de componentes: Estratégia de curto prazo que compromete fluxo de caixa e capital de giro.
Uma Luz (Muita Pequena) no Fim do Túnel
Existem negociações em curso para reduzir tarifas com o Japão e a União Europeia — cerca de 15% em vez dos 25% atuais. Mas ainda não há cronograma definido. Essa incerteza prolonga a angústia das montadoras.
O Preço Mais Alto
Hoje, os EUA praticam a maior alíquota média de importação em quase um século, pressionando preços ao consumidor, custos operacionais e a sustentabilidade das cadeias globais de produção.