A bolsa brasileira voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira, impulsionada pela continuidade do fluxo estrangeiro e por um ambiente global que tem favorecido a diversificação fora dos Estados Unidos. Pela primeira vez, o Ibovespa superou o patamar dos 168 mil pontos, reforçando a leitura de que o mercado local segue no radar dos investidores globais.

Logo no início do pregão, o principal índice da B3 chegou aos 168.907 pontos, novo recorde intradiário. Por volta das 10h50, o índice mantinha ganhos expressivos, avançando cerca de 1,4%, aos 168.600 pontos.

O movimento positivo das ações ocorre em paralelo à desvalorização do dólar. A moeda americana recuava aproximadamente 0,6%, negociada na faixa de R$ 5,35, refletindo o aumento da entrada de recursos externos no mercado brasileiro.

No cenário internacional, o noticiário geopolítico tem pesado nas decisões de alocação. Declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a elevar a percepção de risco, especialmente após a retórica mais dura envolvendo a Groenlândia, território sob administração da Dinamarca. A possibilidade de escalada em tensões comerciais e diplomáticas tem levado investidores a reduzir a exposição concentrada em ativos americanos.

Nesse contexto, cresce a percepção de que a intensificação das relações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul pode ganhar tração. A aprovação do acordo entre os blocos reforça a expectativa de maior integração econômica entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai com o mercado europeu, movimento visto como uma alternativa estratégica diante de um ambiente global mais fragmentado.

No front doméstico, o mercado também acompanha sinais do cenário político. Pesquisa recente da Atlas/Intel indicou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Segundo o levantamento, Lula aparece com 49% das intenções de voto, contra 45% do adversário, uma margem menor do que a observada em sondagens anteriores.