O governo brasileiro decidiu endurecer novamente as regras para a entrada de aço importado no país, em uma tentativa de conter o avanço de produtos estrangeiros — especialmente da China e da Índia — e aliviar a pressão sobre a indústria siderúrgica nacional.
Em decisão tomada pelo Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), foram aprovadas novas medidas de defesa comercial que ampliam o alcance das tarifas já existentes. O principal movimento foi a aplicação de direitos antidumping sobre o aço pré-pintado originário da China e da Índia, com validade de cinco anos. Esse tipo de tarifa é acionado quando há indícios de que produtos entram no país a preços artificialmente baixos, geralmente sustentados por subsídios.
Além disso, o governo estabeleceu uma tarifa provisória de 25%, válida por 12 meses, sobre nove novos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A intenção é fechar brechas regulatórias que vinham permitindo a entrada de aço importado com preços considerados distorcidos.
A indústria siderúrgica avalia o movimento como necessário. Segundo representantes do setor, o volume de aço importado alcançou níveis relevantes em relação ao consumo doméstico, pressionando margens, utilização da capacidade instalada e preços no mercado interno. A leitura é que as medidas não representam protecionismo clássico, mas sim um esforço para restabelecer condições mais equilibradas de concorrência.
Relatórios recentes de bancos e casas de análise apontam que empresas com maior exposição ao mercado interno, como CSN e Usiminas, tendem a ser as principais beneficiadas. A expectativa é que o reforço das barreiras comerciais contribua para reduzir a oferta de aço importado a preços agressivos, criando um ambiente mais favorável para recomposição de preços e melhora gradual das taxas de utilização das usinas.
Ainda assim, analistas ponderam que o impacto prático dependerá da efetividade das medidas e da capacidade de evitar novos desvios de importação por meio de produtos similares ou reclassificações tarifárias.
No plano internacional, o setor segue atento às negociações com os Estados Unidos. Tarifas elevadas impostas pelo governo americano continuam afetando exportações brasileiras de aço, alumínio e outros insumos industriais. A indústria defende a retomada de acordos anteriores, que vigoraram por vários anos e permitiam maior previsibilidade no comércio bilateral.