Os ministros de Finanças do G7 discutiram nesta segunda-feira (9) a possibilidade de uma liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo, diante da forte alta dos preços da commodity provocada pelas tensões no Oriente Médio e pelas interrupções no fluxo global de energia.

A reunião ocorreu por teleconferência e foi organizada pela França, que atualmente ocupa a presidência rotativa do grupo. A medida está sendo considerada como uma alternativa para conter a volatilidade do mercado e aliviar a pressão sobre o abastecimento global. Até o momento, no entanto, nenhuma decisão definitiva foi tomada.

A eventual liberação seria coordenada com a Agência Internacional de Energia (IEA), responsável por organizar respostas conjuntas entre países consumidores em momentos de choque de oferta no mercado energético.

Disrupções no fornecimento

O debate ocorre em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio, que afetou diretamente o fluxo de petróleo da região. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz — uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo — interrompeu boa parte das exportações provenientes do Golfo Pérsico.

Com isso, o petróleo Brent chegou a se aproximar de US$ 120 por barril, um salto expressivo em relação aos cerca de US$ 72 registrados antes da escalada do conflito. A sinalização de que os países do G7 estudam recorrer às reservas estratégicas ajudou a reduzir parte da pressão no mercado, levando a uma leve acomodação das cotações ao longo do dia.

As interrupções no fornecimento já começam a gerar efeitos em diferentes regiões do mundo. Refinarias asiáticas altamente dependentes do petróleo do Oriente Médio reduziram suas taxas de operação enquanto tentam garantir suprimentos alternativos. Ao mesmo tempo, consumidores enfrentam aumento nos preços dos combustíveis e do querosene de aviação, pressionando também o custo das passagens aéreas.

Medida raramente utilizada

A liberação coordenada de reservas estratégicas é considerada uma ferramenta excepcional de política energética e foi utilizada poucas vezes nas últimas décadas.

Desde a criação do mecanismo internacional de estoques emergenciais, esse tipo de ação conjunta ocorreu apenas cinco vezes, geralmente em resposta a grandes interrupções de oferta no mercado global de petróleo.

Entre os episódios mais recentes estão as liberações realizadas em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Antes disso, os estoques foram utilizados em momentos críticos como durante a Guerra do Golfo, após o furacão Katrina e em resposta a interrupções na produção da Líbia.

Divergências entre aliados

Apesar da urgência do debate, ainda não há consenso entre os países do G7 sobre a necessidade imediata da medida. Alguns governos defendem cautela, argumentando que as reservas estratégicas devem ser utilizadas apenas em cenários de escassez prolongada ou ruptura mais severa no abastecimento global.

Além disso, há preocupação entre alguns países europeus de que os Estados Unidos possam pressionar por um eventual relaxamento de sanções sobre o petróleo russo como forma adicional de aumentar a oferta global.

Enquanto isso, o mercado continua monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e as discussões entre as principais economias do mundo, em meio ao risco de que a crise energética se transforme em uma nova fonte de pressão inflacionária global.