A Ford está reformulando sua estratégia no setor de carros elétricos e, como parte dessa reestruturação, registrará encargos de US$ 19,5 bilhões. Essa ação faz parte de um esforço para transformar suas operações de veículos elétricos em uma área lucrativa até 2029, após enfrentar dificuldades para tornar a produção de veículos elétricos rentável.
Os custos de reestruturação serão principalmente reconhecidos no quarto trimestre de 2025 e incluem uma série de mudanças estratégicas. A montadora anunciou que cancelará a picape elétrica F-150 Lightning e redirecionará sua produção para veículos híbridos e movidos a combustão. Além disso, a Ford adaptará uma de suas fábricas de baterias para focar na produção de veículos híbridos e elétricos de menor custo. A reestruturação também envolveu a revisão das capacidades de produção de baterias, que estavam excessivas para o que a empresa tinha planejado.
A montadora reconhece que a aposta em veículos elétricos de grande porte, como os que estavam sendo projetados, acabaria resultando em mais prejuízos. O CEO da Ford, Jim Farley, comentou que era necessário ajustar o rumo e não continuar investindo em produtos que não seriam rentáveis. O novo foco da Ford será em uma linha de veículos elétricos mais acessíveis e híbridos, com a previsão de que esses produtos tragam maior retorno financeiro.
Além disso, a empresa anunciou que a demanda por veículos elétricos pode cair drasticamente após mudanças políticas nos EUA, especialmente com a revogação de algumas das políticas de incentivo promovidas pela administração Biden. Para minimizar o impacto financeiro dessa mudança, a Ford está redirecionando sua produção de baterias para a área de armazenamento de energia, um setor que está em crescimento, principalmente com a demanda crescente por data centers e a necessidade de atualização das redes elétricas.
Em um movimento para se manter competitiva no mercado global, a Ford também investirá em veículos a combustão e híbridos. A montadora está convertendo uma nova fábrica de caminhonetes, localizada em Stanton, Tennessee, para produzir picapes a gasolina, ao invés dos modelos elétricos inicialmente planejados. A produção dessa planta foi adiada para 2029, um ano após o plano original.
O impacto financeiro da reestruturação será significativo, mas a Ford está confiando em uma maior alocação de recursos em áreas de maior retorno. Até 2030, a montadora espera que metade de suas vendas globais venha de veículos híbridos, elétricos de autonomia estendida e totalmente elétricos, uma mudança importante em relação aos 17% atuais.