O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta um novo pico de acúmulo na fila de espera para perícias médicas. De acordo com o boletim Transparência Previdenciária, divulgado pelo Ministério da Previdência Social, mais de 921 mil segurados aguardavam atendimento no último mês — o maior volume desde dezembro de 2023.

A perícia médica é a porta de entrada para benefícios como o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, BPC/Loas e pensões por invalidez. Sem ela, milhares de pessoas seguem sem acesso ao amparo financeiro, mesmo com laudos particulares indicando suas limitações de saúde.

Espera por perícia: os números

Segundo o levantamento oficial:

  • 483 mil pessoas aguardam há até 45 dias;

  • 191 mil, entre 46 e 90 dias;

  • 126 mil, de 91 a 180 dias;

  • 36 mil esperam há mais de seis meses.

Ou seja, mais de 800 mil brasileiros esperam entre um e seis meses por uma resposta do sistema previdenciário.

Por que a perícia é decisiva?

A perícia é o exame técnico feito por médicos peritos federais que determina se o cidadão está total ou parcialmente incapacitado para o trabalho. É exigida para liberar diversos tipos de benefícios, como:

  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);

  • Aposentadoria por invalidez;

  • Pensão para dependentes com invalidez;

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas).

Sem a perícia, não há pagamento — mesmo em casos urgentes.

Do alívio à recaída: o efeito da greve

Em 2023, o governo havia conseguido reduzir a fila pela metade com o Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social (PEFPS), que pagava bonificações a servidores que analisassem processos além do volume padrão.

O cenário voltou a piorar em agosto do mesmo ano, com o início de uma greve parcial dos peritos, que se estendeu até abril de 2025. Mesmo com apenas 10% da categoria paralisada, o impacto foi alto: a fila cresceu 62,7% em menos de um ano.

O impasse com o TCU e o novo acordo

A paralisação foi motivada por uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu um acordo anterior de 2022 — o qual permitia aos peritos reduzir sua meta de produtividade em até 40%. O TCU considerou o modelo prejudicial ao serviço público.

Com isso, o governo instituiu um novo programa de metas e determinou que perícias marcadas com grevistas fossem reagendadas. O acordo que pôs fim à greve, assinado em abril de 2025, resultou no retorno de 300 peritos ao atendimento regular.

Concessões seguem, mas com atraso

Mesmo com o aumento da fila, o INSS concedeu mais de 247 mil benefícios por incapacidade temporária recentemente. No entanto, o tempo médio de análise está em 49 dias, acima do limite legal.

O atraso é especialmente grave em casos de doenças graves ou acidentes, quando o auxílio é essencial para o segurado manter o tratamento ou garantir a sobrevivência.

Diante de um cenário marcado por incertezas e atrasos, cresce a importância de planejar a proteção financeira com antecedência. Ter uma estratégia pessoal de previdência e seguros pode não apenas reduzir a dependência do sistema público, como garantir mais estabilidade em momentos de vulnerabilidade.