As principais bolsas da Europa encerraram o dia em alta, sustentadas por uma combinação de resultados corporativos acima do esperado, sinais mais benignos da inflação britânica e um ambiente global que, apesar das tensões no Oriente Médio, manteve o apetite por risco.

Em Londres, o FTSE 100 avançou mais de 1%, acompanhando ganhos relevantes também em Frankfurt, Paris, Milão, Madri e Lisboa. O movimento foi puxado principalmente por ações de tecnologia, defesa, bancos e empresas ligadas a commodities — setores que têm se mostrado sensíveis tanto ao ciclo econômico quanto ao cenário geopolítico.

No Reino Unido, os dados mais recentes de inflação reforçaram a percepção de que o Banco da Inglaterra pode ganhar espaço para novos cortes de juros nos próximos meses. A desaceleração dos preços alimentou expectativas de flexibilização monetária já no primeiro trimestre, o que ajudou a sustentar o bom humor dos investidores.

Entre os destaques corporativos, a britânica BAE Systems avançou após divulgar resultados acima das projeções, impulsionando o setor de defesa em meio às incertezas globais. A mineradora Glencore também registrou forte alta depois de superar estimativas de lucro operacional ajustado, beneficiando todo o segmento de recursos básicos.

Nem todas as empresas acompanharam o tom positivo. Em Frankfurt, a Bayer recuou de forma expressiva após anunciar um acordo bilionário para encerrar disputas judiciais relacionadas à Monsanto. Em Paris, o Carrefour também caiu após divulgar resultados e apresentar planos de reestruturação focados na expansão digital e na concentração em mercados considerados estratégicos.

No pano de fundo, os investidores monitoraram as tensões entre Estados Unidos e Irã, que seguem influenciando o comportamento dos mercados globais, especialmente os ligados a energia e defesa. Também chamou atenção a especulação sobre uma possível saída antecipada da presidência do Banco Central Europeu, o que adicionou uma camada extra de cautela ao cenário.