Projeto tenta reverter décadas de estagnação e posicionar os reatores como peça-chave na nova corrida energética
A era do nuclear parece estar saindo do limbo nos Estados Unidos. Pela primeira vez em mais de uma década, uma nova usina será construída — agora em Nova York — com apoio direto do governo estadual e aval técnico da administração Trump, que busca acelerar o licenciamento federal.
A instalação terá capacidade de 1 gigawatt, energia suficiente para abastecer 1 milhão de casas. E poderá ser um único reator ou um conjunto de unidades menores, como os pequenos reatores modulares que vêm ganhando força entre empresas de tecnologia e governos.
Com a queda de usinas antigas e o fechamento da Indian Point em 2021, Nova York passou a depender de combustíveis fósseis para manter o fornecimento de energia — um retrocesso nas metas climáticas. A nova usina tenta corrigir essa distorção, reduzindo a emissão de carbono e restaurando a segurança energética da região.
O projeto também serve como termômetro político para medir o efeito das ordens executivas de Trump, que visam destravar a burocracia nuclear. A governadora Hochul já declarou que os entraves federais tornaram impossível expandir o setor: “Por que demorar uma década? É por isso que ninguém faz.”
Desde 1991, apenas cinco reatores comerciais foram ativados nos EUA. E os dois mais recentes, da usina Vogtle, atrasaram 15 anos e custaram mais que o dobro do previsto. A nova fase tenta evitar esses erros — com modelos menores, replicáveis e financiáveis.
O apoio de empresas como Microsoft e a busca por fontes estáveis para alimentar datacenters de inteligência artificial reacenderam o interesse pelo nuclear. Mesmo com o estigma dos resíduos e dos acidentes, a energia sem emissões voltou ao radar.
Nova York agora disputa protagonismo com o Canadá, que já iniciou a construção de pequenos reatores em Ontário. A depender do resultado, o país pode estar diante de uma virada na matriz energética — e a usina nova-iorquina será o projeto-piloto.