Após semanas de tensão crescente, Estados Unidos e China anunciaram nesta segunda-feira (12) um acordo provisório para reduzir tarifas comerciais aplicadas mutuamente. O entendimento prevê uma redução significativa das alíquotas — de 125% para 10% — por um período inicial de 90 dias, dando início a uma fase de descompressão nas relações econômicas entre as duas potências.
A medida foi negociada durante o fim de semana em um encontro entre representantes dos dois países na Suíça, às margens do Lago Genebra. O cenário bucólico parece ter ajudado: as conversas foram classificadas como “produtivas” por ambos os lados.
“Foi um processo equilibrado e positivo”, disse Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, durante a coletiva de imprensa. Segundo ele, os dois países reduzirão suas tarifas em mais de 115 pontos percentuais como parte do acerto temporário. No entanto, Bessent destacou que as importações chinesas continuarão sujeitas a uma tarifa adicional de 20% vinculada à questão do fentanil, substância que tem sido alvo de críticas por parte de Washington.
Alívio após semanas de escalada
O acordo representa uma pausa estratégica após a escalada iniciada com o anúncio, por parte dos EUA, de tarifas de até 145% sobre produtos chineses, que gerou resposta imediata de 125% em retaliação por parte de Pequim. A trégua busca conter os danos econômicos e abrir espaço para negociações mais estruturadas nos próximos meses.
As partes anunciaram ainda a criação de um mecanismo de continuidade nas discussões econômicas, que poderá ocorrer em ambos os países ou em território neutro, dependendo do entendimento futuro.
Leituras distintas sobre o resultado
O tom adotado nas declarações reflete as diferenças de abordagem. Enquanto os EUA falaram em “defesa mútua de interesses” e destacaram a busca por um “comércio mais equilibrado”, a China optou por projetar força.
A mídia estatal chinesa afirmou que o acordo se deu “por iniciativa dos EUA”, e comentários em veículos como a Xinhua e o Global Times reforçaram a narrativa de que Pequim não cedeu em seus princípios fundamentais. O ex-editor Hu Xijin chegou a dizer que a “virada” nas negociações foi consequência direta da “firmeza da China em resistir”.
E o que esperar a partir de agora?
Nos próximos 90 dias, a redução tarifária oferece alívio para setores estratégicos de ambos os países, como agronegócio, tecnologia e manufatura. A depender do andamento das conversas, esse prazo poderá ser renovado — ou não.
Analistas destacam que, mesmo com a trégua, as desconfianças estruturais permanecem. Ainda assim, o recuo temporário nas tarifas pode abrir espaço para avanços comerciais concretos ou, ao menos, reduzir os riscos de impacto mais severo no comércio global.