Um financiamento de US$ 565 milhões pode transformar os Estados Unidos em sócios da única mineradora de terras raras em operação no país, em um movimento que reforça a disputa global por minerais estratégicos fora da órbita chinesa.
A Serra Verde, empresa privada que explora o projeto Pela Ema, em Goiás, fechou um empréstimo com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), agência ligada ao governo americano. O valor do financiamento ficou 22% acima do montante inicialmente aprovado e inclui uma cláusula que permite ao governo dos EUA adquirir uma participação minoritária na companhia.
Segundo a empresa, a eventual entrada dos americanos no capital não prevê interferência na gestão, mas abre espaço para um alinhamento estratégico mais profundo entre os dois países em um setor considerado crítico para a transição energética, defesa e indústria de alta tecnologia.
O recurso será direcionado à modernização das operações da mina e da planta de processamento, que iniciou produção comercial em 2024. A Serra Verde planeja elevar sua produção anual para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o fim de 2026, com possibilidade de dobrar essa capacidade nos anos seguintes.
Estratégia americana para reduzir dependência da China
O acordo ocorre em um momento em que os Estados Unidos aceleram iniciativas para reduzir a dependência da China na cadeia global de terras raras — um grupo de metais essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e dispositivos eletrônicos.
Nos últimos anos, o governo americano passou a oferecer financiamentos, garantias e até participação acionária em projetos considerados estratégicos, como parte de uma política industrial voltada à segurança do abastecimento. A Serra Verde se soma a um grupo seleto de empresas que passaram a receber esse tipo de apoio direto.
Além disso, Washington estuda a criação de uma reserva estratégica de minerais críticos, iniciativa que busca antecipar compras e garantir fornecimento estável para fabricantes ocidentais. Dentro desse contexto, a mineradora brasileira é vista como um ativo relevante fora da Ásia.