Movimento ultrapassa US$ 1 trilhão em 2025, liderado por gigantes de tecnologia e grandes bancos
As empresas dos Estados Unidos estão recomprando suas próprias ações em um ritmo sem precedentes. Segundo dados da Birinyi Associates, os anúncios de recompras já somam US$ 983,6 bilhões em 2025, o maior valor desde o início do levantamento, em 1982. A projeção é de que o volume supere US$ 1,1 trilhão até o final do ano.
O movimento é capitaneado por Apple e Alphabet (controladora do Google), além de grandes bancos como JPMorgan Chase, Bank of America e Morgan Stanley. A combinação de lucros robustos, cortes de impostos e reservas de caixa fortalecidas criou o cenário ideal para essa ofensiva. As tarifas comerciais aplicadas desde abril, que poderiam ter afetado as cotações, não impediram que o S&P 500 e o Nasdaq Composite alcançassem novos recordes.
Por que recomprar ações
A recompra reduz o número de papéis em circulação, elevando o lucro por ação e, frequentemente, impulsionando as cotações. Para muitas empresas, ela se torna uma alternativa mais atraente do que novos investimentos de longo prazo quando há incertezas econômicas — como a atual tensão comercial.
Em julho, os anúncios somaram US$ 165,6 bilhões, mais que o dobro do recorde anterior para o mês, registrado em 2006. No primeiro trimestre, as companhias do S&P 500 recompraram US$ 293,5 bilhões em ações, alta de 21% em relação ao último trimestre de 2024.
Quem lidera o movimento
A Apple aprovou um programa de até US$ 100 bilhões em recompras, mesmo alertando para possíveis impactos das tarifas sobre seus custos. A Alphabet anunciou US$ 70 bilhões para o mesmo fim, enquanto o JPMorgan e o Bank of America confirmaram, respectivamente, US$ 50 bilhões e US$ 40 bilhões. Juntas, as 20 maiores empresas respondem por quase metade de todas as recompras realizadas no ano.
Visões divergentes
Analistas como Bill Fitzpatrick, da Logan Capital Management, veem o movimento como sinal de força: “As recompras sugerem que a saúde financeira do consumidor está boa no momento”. Já vozes críticas, como Larry Fink, da BlackRock, defendem que o retorno rápido proporcionado pelas recompras deve ser equilibrado com investimentos de crescimento sustentável.
Ainda assim, o consenso de mercado é que a onda de recompras continuará a sustentar os índices no curto prazo, reforçada pelos sólidos resultados corporativos: 82% das empresas do S&P 500 que já divulgaram resultados do segundo trimestre superaram as expectativas, segundo a FactSet.