As moedas de mercados emergentes estão prestes a fechar o melhor primeiro semestre desde 2009, com destaque para o real e o peso mexicano, ambos acumulando mais de 10% de valorização frente ao dólar só em 2025.

A combinação de um dólar globalmente mais fraco, expectativa de cortes nos juros americanos e retomada do fluxo de capital estrangeiro tem sustentado o movimento. Dados de inflação mais fracos nos EUA e o alívio com a pausa nas ameaças tarifárias de Trump deram ainda mais impulso nas últimas semanas.

Segundo gestores da Pictet e da Lazard, ainda há espaço para ganhos adicionais. Eles destacam que o dólar continua estruturalmente forte, mas com espaço de correção, o que abre margem para novas altas de moedas emergentes.

Por outro lado, os sinais de alerta seguem no radar. Tensão geopolítica, como os recentes ataques de Israel ao Irã, e incertezas fiscais nos EUA continuam sendo os principais pontos de preocupação.

Além disso, especialistas como Aaron Gifford, da T. Rowe Price, apontam que parte do mercado pode estar otimista demais e subestimando os riscos políticos, especialmente relacionados ao futuro das tarifas americanas.

Mesmo assim, os fluxos estrangeiros mostram retomada: só na primeira quinzena de junho, fundos de dívida emergente receberam mais de US$ 700 milhões, o maior volume do ano.

Para o real brasileiro, que já acumula uma alta de 11% no ano, a recomendação entre gestores é de cautela para o segundo semestre — mas sem descartar novas rodadas de valorização caso o cenário externo continue favorável.