O ranking de commodities que mais subiram em 2025 traz um dado curioso: o peru foi o item com maior valorização do ano, acumulando alta de 70%.

A explicação é objetiva. Surtos de gripe aviária reduziram drasticamente o plantel nos Estados Unidos, provocando abate em larga escala e comprimindo a oferta. Em mercados agrícolas, a resposta de produção é lenta. Quando a oferta encolhe rapidamente, o ajuste ocorre no preço.

O dado chama atenção, mas não define o ano.

Ao excluir o efeito pontual do setor avícola, o movimento dominante em 2025 foi o avanço consistente dos metais.

Metais primários, minerais metálicos e metais reciclados aparecem entre as maiores altas do período. Produtos ligados ao alumínio registraram valorização relevante, assim como sucata de cobre e itens siderúrgicos. Fertilizantes e gases industriais também avançaram.

Esse padrão não é aleatório.

A demanda por metais segue sustentada por três vetores estruturais. O primeiro é a eletrificação da economia. Veículos elétricos, expansão de redes de transmissão e armazenamento de energia ampliam o consumo de alumínio, cobre e aço. O segundo é a digitalização. Data centers exigem infraestrutura física intensiva em metais e energia. O terceiro é o redesenho das cadeias globais, com políticas industriais e tarifas alterando fluxos comerciais e encarecendo determinados insumos.

Ao mesmo tempo, a oferta de metais cresce em ritmo mais contido. O ciclo de investimento mineral é longo, enfrenta restrições ambientais e depende de preços sustentados para viabilizar novos projetos. Esse descompasso entre expansão de demanda e resposta de oferta sustenta a pressão nos preços.

O comportamento das commodities em 2025 revela uma distinção importante. Parte das altas decorre de choques específicos, como no caso das aves. Outra parte reflete tendências estruturais ligadas à transformação da matriz energética e tecnológica global.

Para o investidor, o dado relevante não está apenas no topo do ranking. Ele está na concentração das altas em setores ligados à infraestrutura, transição energética e indústria pesada.

O movimento dos metais sugere que a demanda física por insumos estratégicos continua elevada. E esse é um fenômeno de médio e longo prazo, não um episódio isolado.