Enquanto o índice da bolsa alemã, o DAX, se destacou como o campeão de rentabilidade global em dólares, a Merval da Argentina afundou na lanterna — sinal de que o humor dos mercados seguiu caminhos bem distintos neste primeiro semestre de 2025.

Com avanço de impressionantes 36,34% em dólares, o DAX lidera o ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta, que mediu o desempenho das principais bolsas até 27 de junho. O Ibovespa aparece em 7º lugar, com 28,67% de valorização em dólares, desempenho robusto quando comparado aos trimestres anteriores.

Europa no topo, América Latina em alta
A Europa dominou o pódio: o IBEX da Espanha e o PSI de Portugal ocupam a segunda e terceira colocação, respectivamente. Chile e Colômbia também superaram o Brasil, com 31,67% e 30,49% de retorno em dólares — ainda assim, o Ibovespa brilhou mais que os índices dos EUA, Japão ou México.

Na medição em moeda local, o destaque fica com o índice chileno: +22,4%, seguido de perto pelo colombiano, com +21,67%. A bolsa brasileira acumulou +13,79%, ainda acima da média global.

O tombo argentino
Se o Chile subiu, a Argentina caiu feio. O índice Merval amargou -30,09% em dólares — e, mesmo em termos nominais, caiu 19,44%. Uma reversão marcante, considerando o salto de 127% registrado em 2024, quando o mercado apostava nas reformas liberais de Javier Milei.

Desde o primeiro trimestre deste ano, o Merval já mostrava fragilidade, com queda acumulada de 11,25% em dólares até março.

Wall Street freia com Trump
Nos EUA, os grandes índices até fecharam em alta, mas longe do brilho europeu. O Nasdaq avançou 4,99%, o S&P 500 subiu 4,96% e o Dow Jones marcou 3%, puxados para baixo pela onda de tarifas comerciais implementadas no novo mandato de Donald Trump.

A perda de valor de mercado das empresas listadas nos EUA foi brutal: US$ 9,81 trilhões em valor evaporaram entre a posse, em 20 de janeiro, e a entrada em vigor das tarifas, segundo a Elos Ayta.

As “Sete Magníficas” — Microsoft, Tesla, Nvidia, Apple, Amazon, Meta e Alphabet — perderam juntas US$ 1,83 trilhão em apenas dois dias de abril. Desde janeiro, a desvalorização acumulada já ultrapassa US$ 4,26 trilhões, número que segue pesando sobre os índices, mesmo com tentativas de negociação internacional em curso.