O mercado de criptomoedas atravessa mais um momento de forte estresse. Nesta sexta-feira (6), o bitcoin é negociado próximo dos US$ 65 mil, com queda de cerca de 6% no dia, movimento que se espalha por praticamente todo o setor. A solana, por exemplo, recua perto de 10%, enquanto outras grandes moedas seguem o mesmo caminho.
O impacto é expressivo. Apenas nas últimas 24 horas, mais de US$ 130 bilhões foram apagados do valor total do mercado cripto. Desde o pico registrado no início de outubro — quando o bitcoin chegou à máxima histórica em torno de US$ 126 mil —, a perda acumulada já se aproxima de US$ 2 trilhões.
Para efeito de comparação, é quase como se o mercado cripto tivesse eliminado, em poucos meses, um valor equivalente a praticamente toda a capitalização da Amazon.
O pano de fundo macro voltou a pesar
O primeiro fator por trás da queda é o ambiente macroeconômico. A combinação de juros elevados por mais tempo, incertezas sobre o ritmo de crescimento global e tensões geopolíticas vem reduzindo o apetite por ativos considerados mais arriscados.
Quando o investidor global entra em modo defensivo, o capital tende a migrar para posições mais conservadoras — e as criptomoedas costumam estar entre os primeiros ativos a serem vendidos.
Esse movimento ficou ainda mais evidente após novas ondas de correção no setor de tecnologia, que historicamente mantém correlação elevada com o mercado cripto em momentos de estresse.
Desalavancagem acelera o movimento de baixa
Além do cenário macro, o próprio funcionamento do mercado cripto amplifica as quedas. Muitos investidores operam com alavancagem, usando capital emprestado para ampliar posições.
Quando os preços caem rapidamente, essas posições são forçadas a serem encerradas automaticamente, gerando liquidações em cadeia. O efeito é conhecido: mais vendas puxam os preços para baixo, o que provoca novas liquidações — um ciclo típico de momentos de pânico.
Perda de suportes importantes abala a confiança
Do ponto de vista técnico, o bitcoin perdeu a região dos US$ 70 mil, considerada um suporte psicológico relevante. A quebra desse nível enfraqueceu a confiança de curto prazo e abriu espaço para uma intensificação da pressão vendedora.
O sentimento negativo aparece claramente em um dos indicadores mais acompanhados do setor, o Índice de Medo e Ganância, que varia de 0 a 100. Quanto menor o número, maior o medo. Atualmente, o índice marca 5, um nível associado a pânico extremo e entre os mais baixos já registrados.
Reflexos além do bitcoin
A queda do mercado também atinge empresas que mantêm criptomoedas em caixa. No Brasil, companhias conhecidas como bitcoin treasury companies vêm sentindo o impacto de forma intensa. Algumas já acumulam perdas superiores às do próprio bitcoin no último mês, refletindo tanto a desvalorização do ativo quanto o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores.
Ao mesmo tempo, um movimento paralelo chama atenção: a busca por alternativas menos voláteis dentro do próprio ecossistema cripto. A chamada renda fixa digital, baseada em ativos tokenizados, vem crescendo em volume e atraindo investidores em busca de retornos elevados. Ainda assim, o alerta permanece: apesar do nome, esses produtos carregam riscos muito superiores aos da renda fixa tradicional e não contam com proteções institucionais.