A economia chinesa vive um contraste: de um lado, o consumidor volta a gastar, impulsionado por programas de incentivo do governo; de outro, a indústria e o setor imobiliário continuam enfrentando dificuldades.

Dados divulgados nesta segunda-feira (9) mostram que as vendas no varejo cresceram 6,4% em maio na comparação anual, superando as expectativas do mercado e o resultado de abril (5,1%). O desempenho foi turbinado por descontos em eletrodomésticos e outros bens de consumo, dentro de um programa de estímulo adotado por Pequim para incentivar as famílias a abrir a carteira.

Ao mesmo tempo, o setor industrial perdeu força. A produção cresceu 5,8% em maio, ritmo menor que os 6,1% registrados em abril. O investimento em ativos fixos — como infraestrutura, fábricas e construções — também desacelerou, com alta de 3,7% entre janeiro e maio, abaixo dos 4% vistos até abril.

O setor imobiliário continua sendo o principal freio. O investimento em imóveis caiu 10,7% nos cinco primeiros meses do ano, enquanto o início de novas obras despencou 22,8%. Os preços médios de residências em 70 grandes cidades monitoradas pelo governo tiveram nova queda.

Trégua comercial com os EUA ajuda, mas não resolve
As tensões comerciais com os Estados Unidos deram uma trégua recente, após um acordo que reduziu restrições mútuas em setores estratégicos, como exportação de minerais raros e peças industriais. Ainda assim, analistas alertam que o clima de disputa permanece — e novos atritos são considerados prováveis.

A queda nas exportações e os efeitos prolongados da crise imobiliária seguem como desafios para o crescimento. A expectativa de muitos economistas é que o governo chinês precise reforçar os estímulos econômicos nas próximas semanas, seja por meio de cortes adicionais nas taxas de juros ou por uma ampliação do crédito.

O mercado agora acompanha de perto os próximos passos de Pequim, com dúvidas sobre a capacidade da segunda maior economia do mundo de alcançar a meta oficial de crescimento de 5% para 2025.