A combinação de uma forte valorização das ações brasileiras com a desvalorização do dólar criou um dos melhores retornos do mundo para o investidor estrangeiro em 2025. O Ibovespa acumula alta de 32% no ano e, quando convertido para dólar — que caiu cerca de 14% no período —, o avanço chega a 53%.

O desempenho marca uma reversão significativa em relação a 2024, quando o índice em dólar registrou queda próxima de 30%. O movimento também coloca o Brasil entre os mercados mais rentáveis do mundo neste ano.

Entretanto, o cenário brasileiro não é um caso isolado. Várias bolsas de países emergentes e de menor representatividade global apresentam números semelhantes — ou superiores. No ranking das maiores altas em dólar, o Brasil aparece na 13ª posição, atrás de mercados como Gana (+130%), Zâmbia (+100%), Colômbia (+77%), Hungria (+67%), República Tcheca (+65%), Coreia do Sul (+65%) e Chile (+62%). A lista evidencia um ano de forte fluxo para emergentes e para economias fora do eixo tradicional EUA–Europa Ocidental.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avança cerca de 17% em dólar, indicando um desempenho positivo, mas distante da dinâmica observada nos principais emergentes.

Perspectivas: há espaço para mais valorização?

Uma forma objetiva de avaliar se a bolsa brasileira ainda tem potencial de alta é observar o P/L (preço sobre lucro) — que divide o valor total das ações pelo lucro acumulado das empresas listadas.

O Ibovespa negocia atualmente a 11,5 vezes lucro.
Isso representa:

– um nível substancialmente inferior ao do S&P 500, que opera próximo de 30 vezes lucro;

– porém, ligeiramente acima da média brasileira das últimas duas décadas, de aproximadamente 10,5 vezes.

Portanto, o índice deixou de ser considerado “barato”, mas ainda não atingiu níveis que historicamente representaram sobrevalorização. O espaço para novas altas dependerá, sobretudo, da capacidade de as empresas brasileiras ampliarem seus resultados em 2026 — o que permitiria queda do P/L mesmo com avanço das cotações.

Outro ponto crítico é o câmbio: parte relevante da valorização em dólar ocorreu devido à força do real. Uma mudança desse vetor pode alterar o apetite internacional por ativos brasileiros.

O Ibovespa figura entre os mercados mais fortes do mundo em 2025 quando avaliado em dólar, beneficiado por fluxo estrangeiro, lucros resilientes e câmbio favorável. No entanto, a continuidade dessa dinâmica depende de fatores ainda incertos, como o comportamento dos lucros corporativos, a direção da política monetária e a trajetória da moeda brasileira.