O Bitcoin (BTC) rompeu nesta segunda-feira (14) a marca histórica dos US$ 120 mil pela primeira vez, alcançando a cotação de US$ 123.205 nas primeiras horas do dia. A valorização de 3,4% ocorre na esteira da chamada “Semana Cripto” no Congresso dos Estados Unidos, que deve votar propostas cruciais para o setor de ativos digitais.

A escalada também contaminou o restante do mercado. Ethereum (ETH), XRP e Solana (SOL) operaram em alta, enquanto bolsas europeias recuaram em meio a preocupações com o ambiente global de juros e protecionismo.

Alta sustentada por apetite institucional e avanço regulatório
Após dobrar de valor em 2024 e acumular 31% de alta em 2025, o Bitcoin mantém sua trajetória de valorização apoiado por fatores técnicos e institucionais. Entre eles, destaque para a entrada líquida de US$ 2,7 bilhões em ETFs de Bitcoin na última semana — o quinto maior fluxo semanal desde a estreia desses fundos nos EUA. Ao todo, os 12 ETFs listados já administram cerca de US$ 151 bilhões.

Paralelamente, o volume aberto em contratos futuros (open interest) atingiu novo recorde de US$ 86,3 bilhões nesta segunda-feira, segundo dados da Coinglass, refletindo o crescimento da participação de investidores sofisticados na tese.

A agenda política também colaborou com o avanço. Em Washington, a Câmara dos Deputados inicia nesta semana a análise de projetos como a Lei CLARITY, a Lei Anti-vigilância de CBDC e o pacote GENIUS, todos alinhados à agenda pró-cripto da administração Trump. O ambiente regulatório mais claro nos EUA é visto como um divisor de águas para a consolidação do setor.

Narrativas se reconstroem: de ativo especulativo a hedge macro
A percepção sobre o Bitcoin começa a se deslocar: de ativo altamente volátil para reserva de valor escassa em meio à deterioração fiscal e monetária global. “A mudança sinaliza uma visão mais madura: o Bitcoin não é mais apenas uma aposta especulativa, mas um hedge macro com fundamentos sólidos”, afirma George Mandres, trader sênior da XBTO Trading.

Apesar do rali, analistas mantêm certo grau de cautela. Rachael Lucas, da BTC Markets, avalia que o grande teste será a resistência em US$ 125.000. “Há espaço para realizações de lucro no curto prazo, mas qualquer correção tende a ser interpretada como oportunidade de compra, e não como reversão de tendência”, aponta.

Liquidações forçam aceleração do movimento
A valorização recente foi amplificada pela liquidação de posições vendidas. Traders que apostavam na queda do BTC perderam mais de US$ 1 bilhão em posições encerradas forçadamente na última sexta-feira — um fator técnico que gerou pressão compradora adicional, impulsionando a quebra da resistência anterior.

Fatores macroeconômicos seguem no radar
Alguns analistas, no entanto, veem o movimento com moderação. “Na minha visão, este não é um rali impulsionado por fundamentos macroeconômicos estruturais, mas sim um evento isolado com base técnica e regulatória”, avalia Nicolai Sondergaard, da Nansen. Ainda assim, ele reconhece que o ambiente externo — com política fiscal expansionista e expectativas de corte de juros nos EUA — é favorável para ativos de risco como o Bitcoin.