Bernard Arnault reforçou o controle da família sobre a LVMH em meio à fase mais desafiadora do setor de luxo desde o boom pós-pandemia. A holding familiar elevou sua participação no capital do grupo de 49,77% para 50,01%, ultrapassando simbolicamente a marca da maioria absoluta. Em termos de poder decisório, o domínio é ainda mais expressivo: a família detém 65,94% dos direitos de voto.

O movimento ocorre em um momento de desvalorização relevante das ações da companhia. Desde o pico registrado em abril de 2023, impulsionado pela forte demanda global por bens de luxo no pós-pandemia, os papéis acumulam queda próxima de 38%. Apenas neste ano, a retração gira em torno de 13%, avaliando a LVMH em aproximadamente 280 bilhões de euros.

A estratégia não é inédita. A família Arnault historicamente aproveita momentos de fraqueza no mercado para ampliar sua posição no conglomerado. A sinalização já havia sido feita por Arnault durante a divulgação dos resultados anuais, quando indicou que o controle ultrapassaria 50% ao longo deste ano.

A desaceleração recente do setor ajuda a explicar o timing. A divisão de moda e artigos de couro, que inclui marcas como Louis Vuitton e Christian Dior, apresentou desempenho abaixo das expectativas no último trimestre. Já a unidade de vinhos e destilados enfrenta o terceiro ano consecutivo de queda nas vendas, pressionada especialmente pela demanda mais fraca por Hennessy Cognac.

Mesmo diante desse cenário, a LVMH permanece como a maior empresa do índice francês CAC 40 e a quarta maior do Stoxx Europe 600 em valor de mercado. O grupo reúne algumas das marcas mais valiosas do mundo em moda, cosméticos, joias e bebidas premium.

A consolidação do controle também reforça a centralidade da família na governança da companhia. Aos 76 anos, Arnault mantém influência direta nas decisões estratégicas enquanto seus cinco filhos ocupam posições relevantes dentro do grupo. Delphine Arnault lidera a Christian Dior Couture; Antoine Arnault integra o comitê executivo e supervisiona imagem e sustentabilidade; Alexandre, Frédéric e Jean também exercem funções estratégicas e participam do conselho, com exceção de Jean.

Com patrimônio estimado em cerca de 185 bilhões de dólares, Arnault figura entre as maiores fortunas globais. Ao ampliar sua participação em meio à correção das ações, ele sinaliza confiança na recuperação do setor de luxo e reafirma o modelo de controle familiar que sustenta a estrutura da LVMH há décadas.