Depois de atingir um novo recorde intradiário ao ultrapassar os US$ 3.500 por onça-troy, o ouro encerrou o dia em leve queda, pressionado por investidores que aproveitaram o pico para realizar lucros e por um ambiente de mercado com maior apetite por ativos de risco.

Os contratos futuros do metal com vencimento em junho encerraram a sessão da última terça-feira (22) cotados a US$ 3.419,40 por onça-troy, com recuo de 0,17%, segundo dados da Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex).

Para analistas do setor, o movimento não é inesperado. De acordo com Jim Wyckoff, da Kitco Metals, as oscilações mais acentuadas nos preços do ouro nos últimos dias podem sinalizar que a fase de forte valorização está se aproximando de um ponto de saturação. “Essas variações são um sinal precoce de que o mercado pode estar se aproximando de um topo no curto prazo”, avaliou.

Sentimento de mercado muda com fala de secretário do Tesouro dos EUA

Além da movimentação técnica, o recuo no preço do ouro foi influenciado por um clima mais favorável ao risco nos mercados globais. Parte desse otimismo foi atribuído a declarações atribuídas ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante um evento promovido pelo J.P. Morgan.

Segundo relatos obtidos pela Bloomberg, Bessent teria classificado o impasse tarifário com a China como “insustentável” e expressado expectativa por uma solução em breve. Embora as negociações formais ainda não tenham começado, o secretário teria sinalizado que há espaço para um entendimento entre as partes.

A perspectiva de distensão comercial entre EUA e China, ainda que incipiente, gerou maior otimismo no mercado financeiro — e, como de costume, reduziu temporariamente o apelo de investimentos considerados porto seguro, como o ouro.

Olhos atentos aos próximos dias

Mesmo com a leve queda, o ouro segue em patamar historicamente elevado, sustentado por uma combinação de fatores que incluem tensões geopolíticas, inflação persistente e incertezas fiscais em grandes economias. No entanto, o comportamento recente indica que a volatilidade deve permanecer presente, especialmente em torno de declarações políticas e movimentações no cenário macroeconômico.

Com os investidores alternando entre otimismo com ativos de risco e cautela estrutural, o ouro pode continuar operando em faixas elevadas — mas com correções mais frequentes.