Donald Trump lançou mais um ataque na guerra tarifária: uma taxa de 50% sobre as importações de cobre. Mas, por trás do anúncio barulhento, há uma estratégia clara. Os Estados Unidos querem retomar o controle de cadeias críticas — e o cobre, base da transição energética, é peça-chave nesse xadrez.
O gesto balançou os mercados, impulsionou os preços e despertou uma corrida por protagonismo. É um movimento com cara de política comercial, mas que carrega ambições geopolíticas. E é aqui que o Brasil entra no jogo.
Mesmo com pouca relevância nas exportações de cobre refinado para os EUA, o país tem o que muitos estão buscando: reservas, escala e conhecimento técnico. A Vale já opera minas no Pará, com produção robusta e projetos de expansão em andamento. Só em 2024, foram mais de 348 mil toneladas de concentrado extraídas por aqui.
Mais do que exportar minério, o Brasil tem a chance de exportar capacidade. “Há espaço para que empresas brasileiras invistam diretamente nos EUA, levando capital, know-how e tecnologia para dentro da cadeia americana”, afirma Gilberto Cardoso, executivo com passagens por Vale, BHP e ArcelorMittal.
O cobre, afinal, virou o novo petróleo da era elétrica. Ele está por trás de tudo: baterias, painéis solares, turbinas eólicas, infraestrutura digital. Não à toa, ganhou o apelido de “Dr. Copper”, o médico da economia — e agora, também da geopolítica.
O problema é que há um descompasso estrutural: as fundições (onde o minério vira cobre refinado) estão ociosas, mas a oferta de concentrado — a matéria-prima — é insuficiente. Resultado: disputa acirrada por cada tonelada. Nos EUA, a situação é crítica. Só duas fundições operam por lá. Grande parte do refino é feito… na China. Exatamente o que Trump quer evitar.
E o tempo joga contra. A média global para colocar uma nova mina de pé é de 16 a 34 anos. A americana Ivanhoe Electric quer abrir uma operação em menos de cinco. Se conseguir, será a primeira grande mina de cobre nos EUA em mais de uma década.
Enquanto isso, o Brasil já está pronto. Tem solo, escala e operação. Pode ser exportador. Mas também pode ser sócio.