A Volkswagen atravessa mais um período desafiador em sua operação global. A maior montadora da Europa registrou uma forte queda em seu lucro operacional e projeta apenas uma recuperação gradual da rentabilidade nos próximos anos, pressionada por tarifas comerciais e pela perda de competitividade no mercado chinês.

O grupo alemão informou que seu lucro operacional caiu mais de 50% em 2025, somando 8,9 bilhões de euros, abaixo das estimativas de mercado. O desempenho reflete um cenário de custos mais elevados, mudanças estratégicas dentro do grupo e a intensificação da concorrência em mercados-chave.

A empresa prevê que sua margem operacional fique entre 4% e 5,5% em 2026, uma melhora em relação aos 2,8% registrados em 2025, mas ainda distante dos 5,9% observados em 2024. Analistas projetam um nível próximo ao limite superior dessa faixa.

Pressão nos principais mercados

Assim como outras montadoras globais, a Volkswagen enfrenta desafios simultâneos em diferentes regiões.

Nos Estados Unidos, as tarifas sobre veículos e componentes têm elevado os custos da companhia e pressionado a rentabilidade. Já na China — o maior mercado automotivo do mundo — a empresa perde espaço para fabricantes locais, especialmente no segmento de veículos elétricos.

Além disso, marcas do próprio grupo, como Porsche e Audi, também enfrentam um período de menor desempenho.

Mudanças estratégicas e transição elétrica

Parte da pressão recente sobre os resultados também está ligada a decisões estratégicas dentro do grupo. A Porsche, por exemplo, interrompeu temporariamente o ritmo de sua transição para veículos elétricos após a demanda abaixo do esperado no segmento.

Essas mudanças, combinadas a investimentos elevados em tecnologia e reestruturação, contribuíram para pressionar os resultados operacionais.

Apesar disso, a receita do grupo permaneceu praticamente estável, alcançando 322 bilhões de euros. Para 2026, a expectativa da empresa é de um crescimento modesto, em uma faixa entre 0% e 3%.

Corte de custos e reestruturação

Diante do cenário mais desafiador, a Volkswagen segue avançando em um amplo plano de redução de custos.

A companhia pretende realizar cerca de 50 mil cortes de postos de trabalho na Alemanha até 2030, como parte de um programa de reestruturação voltado a aumentar eficiência e competitividade.