A Azul anunciou a conclusão de sua reestruturação financeira nos Estados Unidos e a saída oficial do processo de Chapter 11, equivalente à recuperação judicial brasileira. O movimento marca um novo capítulo para a companhia, que conseguiu reduzir aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento, fortalecendo de forma relevante seu balanço.

O processo durou menos de nove meses e foi conduzido sem interrupção das operações. Durante esse período, a empresa manteve cerca de 800 voos diários e afirma ter cumprido suas metas operacionais, transportando aproximadamente 32 milhões de passageiros ao longo de 2025. Diferentemente de uma paralisação, o Chapter 11 permitiu à companhia reorganizar compromissos financeiros enquanto seguia operando normalmente.

A reestruturação envolveu negociações com credores e arrendadores de aeronaves, incluindo a AerCap, além do reforço do relacionamento com investidores estratégicos como United Airlines e American Airlines. As duas empresas americanas ampliaram sua participação no capital da Azul e devem aprofundar acordos de codeshare, ampliando a integração entre as malhas e oferecendo acesso a mais de 100 destinos no Brasil.

Segundo o CEO John Rodgerson, o alívio financeiro e a renegociação de contratos de leasing criam as condições para que a companhia volte a gerar caixa nos próximos anos. A expectativa é que a empresa recupere a rentabilidade gradualmente, apoiada por uma estrutura de custos mais equilibrada e menor pressão sobre o serviço da dívida.

Fundada em 2008 com foco inicial em jatos da Embraer e rotas regionais, a Azul expandiu rapidamente sua frota ao longo da última década. Esse crescimento, combinado à volatilidade cambial e aos impactos persistentes da pandemia, pressionou sua estrutura financeira e levou ao pedido de proteção judicial em maio.

O novo plano estratégico prioriza o mercado doméstico, considerado mais resiliente, mas mantém expansão seletiva de voos internacionais, especialmente para os Estados Unidos. A companhia também continuará recebendo aeronaves da Airbus e da Embraer, preservando o plano de modernização da frota.