As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em 2025 tiveram um efeito mais doméstico do que externo. Segundo estudo do Federal Reserve de Nova York, a maior parte do custo gerado pelas novas alíquotas foi absorvida por empresas e consumidores americanos — e não pelos países exportadores.
Com base em dados até novembro, os economistas estimam que, nos primeiros oito meses após a adoção das tarifas, cerca de 94% do impacto econômico foi repassado ao mercado interno. Mesmo com ajustes posteriores nos preços internacionais, o repasse ainda era de aproximadamente 86% ao fim do período analisado.
Na prática, isso significa que uma tarifa adicional de 10% resultou em uma redução de apenas 0,6 ponto percentual nos preços cobrados por exportadores estrangeiros. Em outras palavras: a tentativa de pressionar fornecedores externos acabou pesando majoritariamente sobre a economia americana.
O movimento ganhou força após 2 de abril, data apelidada pelo presidente Donald Trump de “Dia da Libertação”, quando foram anunciadas novas tarifas amplas sobre importações. A alíquota média aplicada pelos EUA saltou de 2,6% para 13%, com picos ainda maiores em abril e maio, impulsionados por medidas temporárias sobre produtos chineses.
Embora parte das cadeias de suprimento tenha se ajustado ao novo cenário — com aumento da produção em países como México e Vietnã — o estudo indica que a redistribuição geográfica não foi suficiente para transferir o ônus das tarifas para fora dos Estados Unidos.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram dados mensais de comércio exterior e compararam a evolução dos preços de exportação com as mudanças nas alíquotas, isolando o efeito direto dos impostos sobre os valores praticados.