Brasil, Argentina e Guiana devem concentrar o principal avanço da produção de petróleo na América do Sul nos próximos anos, consolidando-se como os vetores mais relevantes de crescimento da região em um cenário global ainda marcado por incertezas geopolíticas e disciplina de investimentos.
Estimativas do setor indicam que projetos estratégicos nesses três países podem adicionar mais de 700 mil barris por dia à oferta regional já em 2026. Esse volume contrasta com o potencial mais limitado da Venezuela, cuja recuperação produtiva segue condicionada a desafios políticos, institucionais e operacionais.
A Guiana mantém um dos crescimentos mais rápidos do mundo, sustentado por grandes descobertas offshore e custos competitivos de produção. O Brasil segue ampliando sua oferta a partir do pré-sal, com novos sistemas entrando em operação e elevada produtividade dos campos maduros. Já a Argentina avança com força no shale, especialmente na região de Vaca Muerta, que continua atraindo capital e ampliando sua relevância no mapa energético global.
Apesar de esforços recentes para atrair investimentos à Venezuela, o país enfrenta um caminho mais longo até recuperar volumes expressivos. A produção local é marcada por petróleo pesado, maior intensidade de emissões e um ambiente de negócios ainda percebido como arriscado por investidores internacionais. Mesmo em um cenário de preços mais altos, esses fatores tendem a limitar a competitividade dos barris venezuelanos frente a alternativas mais atraentes na região.
A perspectiva é de que o investimento em petróleo na América Latina volte a crescer em 2026, mas com foco em projetos de retorno mais previsível. Isso favorece empreendimentos offshore na Guiana e no Brasil, além da continuidade da expansão do shale argentino, enquanto iniciativas com maior risco político ou operacional ficam em segundo plano.
Com isso, a produção total de petróleo da América Latina deve ultrapassar 8,8 milhões de barris por dia, com o Brasil liderando o crescimento absoluto. A combinação de escala, custo e estabilidade regulatória coloca Brasil, Argentina e Guiana em posição privilegiada para sustentar a expansão regional ao longo da próxima década.