O processo de privatização da Copasa começou a ganhar tração no mercado e já atrai o interesse de grupos relevantes do setor de saneamento, tanto no Brasil quanto no exterior. Empresas como a francesa Veolia e as brasileiras Sabesp e Aegea avaliam participar da disputa pelo controle da companhia mineira, segundo pessoas a par das conversas.
Além das operadoras de saneamento, o fundo brasileiro Perfin também aparece entre os interessados em se posicionar na operação, que deve avançar nos próximos meses e pode ser concluída até abril. O apetite final, no entanto, dependerá do desenho definitivo da privatização e, principalmente, da situação contratual da empresa com os municípios atendidos.
A Copasa corre para renovar e alongar contratos com cidades estratégicas de Minas Gerais, como Belo Horizonte e outros grandes centros urbanos. Esses acordos são decisivos para a avaliação da companhia, já que determinam previsibilidade de receitas e sustentação do plano de universalização do saneamento.
Em comunicado recente, a empresa informou que vem realizando uma série de reuniões com prefeitos para apresentar a nova fase da companhia e esclarecer os impactos do processo de privatização. A meta é concluir conversas com os 636 municípios atendidos até o fim de fevereiro, fortalecendo a base contratual e jurídica da operação.
O modelo previsto envolve a venda do controle por meio de uma oferta pública de ações. Pelo desenho atual, o governo de Minas Gerais poderá reduzir sua participação para no máximo 5%, mantendo eventualmente uma golden share, que garante poderes específicos de veto em temas estratégicos. Hoje, o estado detém pouco mais de 50% do capital da companhia.
Há também a possibilidade de entrada antecipada de um investidor estratégico, que poderia adquirir cerca de 30% da empresa antes da oferta e ampliar essa fatia posteriormente no mercado, chegando a até 45% dos direitos de voto.
Com valor de mercado próximo de R$ 20 bilhões, a privatização da Copasa pode render mais de R$ 10 bilhões aos cofres do estado, caso a participação pública seja totalmente alienada.