O investidor estrangeiro teve um papel central na dinâmica da bolsa brasileira em 2025 — e os números ajudam a dimensionar esse protagonismo. Ao longo do ano, os não residentes movimentaram cerca de R$ 2,8 trilhões em ações negociadas no mercado à vista da B3, um volume que corresponde a aproximadamente 62% de todo o giro financeiro do segmento.
Quando o recorte é ampliado para incluir outros ativos de renda variável, como BDRs, ETFs e fundos imobiliários, o montante negociado por investidores de fora do país sobe para algo próximo de R$ 3,5 trilhões. Trata-se de um salto relevante em relação a 2024, quando esse volume havia sido de cerca de R$ 2,4 trilhões — um crescimento anual da ordem de 15%.
Mesmo no último mês do ano, período que costuma ter menor liquidez, o apetite estrangeiro se manteve firme. Apenas em dezembro, o volume negociado por não residentes somou R$ 255 bilhões, avanço de 6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Esse fluxo robusto ajuda a explicar parte importante do desempenho da bolsa brasileira em 2025. Com o real mais valorizado em boa parte do ano, juros domésticos elevados e múltiplos ainda atrativos na comparação internacional, o Brasil voltou ao radar de gestores globais que buscavam exposição a mercados emergentes com liquidez e peso em commodities.
As preferências do capital estrangeiro seguiram, em grande medida, a composição tradicional do Ibovespa. Vale liderou com folga o volume negociado, superando R$ 190 bilhões ao longo do ano, refletindo tanto sua relevância no índice quanto a sensibilidade dos investidores globais ao ciclo do minério de ferro. Na sequência aparecem Petrobras, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, nomes que combinam liquidez elevada, escala e exposição a temas macro relevantes, como commodities, sistema financeiro e política fiscal.
Além desses gigantes, também chamam atenção empresas como B3, Bradesco, Ambev, WEG e Sabesp, que figuraram entre as mais negociadas mesmo quando não estão necessariamente entre os dez maiores pesos do índice. Em comum, essas companhias oferecem ao investidor estrangeiro algo difícil de replicar em outros mercados emergentes: negócios de grande porte, com governança relativamente madura e capacidade de absorver volumes expressivos sem distorcer preços.