O minério de ferro iniciou a semana pressionado por um conjunto já conhecido de fatores: demanda enfraquecida na China, manutenção de equipamentos em siderúrgicas e frustração com a ausência de novos estímulos econômicos por parte do governo chinês. O resultado foi um recuo consistente nas principais bolsas asiáticas.
O contrato de janeiro na Dalian Commodity Exchange caiu 1,14%, encerrando o pregão a 778,5 iuanes por tonelada (aproximadamente US$ 110). É o nível mais baixo registrado desde meados de novembro. Em Cingapura, referência global para o mercado, o contrato equivalente recuou 1,34%, chegando a US$ 102 por tonelada — menor cotação desde 1º de dezembro.
Demanda em ritmo lento
O freio na demanda por aço, típico do fim de ano no hemisfério norte, coincidiu com um período de manutenção em diversas usinas chinesas. Com a produção reduzida, a necessidade por minério também cede, pressionando preços no curto prazo.
A consultoria Mysteel registrou queda de 1% na produção média diária de metal quente — um dos indicadores mais usados para medir consumo real de minério — para 2,32 milhões de toneladas. É o menor patamar desde setembro, reforçando que a desaceleração não é pontual.
Expectativas frustradas com Pequim
O mercado também monitorava a reunião do Politburo, organismo máximo de decisão do Partido Comunista Chinês, em busca de sinais de estímulos adicionais para 2026. Embora o governo tenha reiterado que seguirá apoiando a economia com políticas “mais proativas”, não houve anúncios concretos capazes de animar traders.
Sem novos gatilhos de estímulo e com a demanda corrente ainda curta, o minério ampliou perdas ao longo da tarde.
Importações ainda firmes — por enquanto
Apesar da fraqueza recente na demanda doméstica, as importações chinesas seguiram acima de 100 milhões de toneladas em novembro — sexto mês consecutivo acima desse patamar. O volume elevado reflete contratos já firmados, mas não elimina a preocupação com o consumo pela frente.
Para analistas, o cenário continua dependente de dois fatores: quando a demanda do setor de construção dará sinais de recuperação e se Pequim anunciará medidas mais robustas para impulsionar sua economia. Até lá, a volatilidade deve seguir como protagonista no mercado de minério de ferro.