Poucas vezes rivais históricos decidiram caminhar lado a lado. Foi o que aconteceu ontem, quando a Nvidia anunciou que vai investir US$ 5 bilhões na Intel, numa jogada que surpreendeu o mercado e acendeu os olhos de Wall Street.

O impacto foi imediato: em poucas horas, as ações da Intel dispararam 28%, maior alta em mais de uma década. Do outro lado, concorrentes como AMD e Arm, que vinham ganhando espaço no design de chips, perderam fôlego no pregão.

O encontro de duas trajetórias

O anúncio ganhou ainda mais força pelo tom pessoal de seus protagonistas. Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, falou em “colaboração histórica”, destacando o papel da Intel como parceira de peso em um momento em que a computação dá um salto para a era da inteligência artificial.

Do lado da Intel, Lip-Bu Tan não escondeu a satisfação: “Trabalhar novamente com Jensen é um privilégio. Juntos, estamos construindo as bases da próxima era da computação.”

Pela parceria, a Intel vai produzir CPUs da arquitetura x86 sob medida para a Nvidia, que as integrará às suas poderosas GPUs. A combinação promete turbinar desde data centers até computadores pessoais — um casamento entre tradição e vanguarda.

Mais que tecnologia: geopolítica

Por trás dos números, há também política. O anúncio chega apenas três semanas depois de Donald Trump injetar US$ 8,9 bilhões na Intel, garantindo ao governo americano 10% de participação na empresa. O SoftBank, dias antes, também havia colocado US$ 2 bilhões.

Essa sequência de aportes tirou a Intel do limbo — em abril, suas ações chegaram ao nível mais baixo em dez anos. Agora, a companhia renasce como peça-chave do projeto americano de reduzir a dependência da China em chips avançados.

Para analistas, o movimento da Nvidia não é apenas financeiro. É também estratégico: aproximar-se da Intel significa ganhar pontos em Washington e se colocar ao lado do governo em uma batalha que vai muito além do mercado.

O pano de fundo: a guerra dos chips

A corrida por semicondutores virou palco da disputa entre Estados Unidos e China. Washington já proibiu Nvidia e AMD de venderem processadores de inteligência artificial para clientes chineses. Em resposta, Pequim determinou que empresas locais passem a usar chips produzidos internamente.