O mercado de criptomoedas no Brasil continua a atrair principalmente investidores jovens. Um levantamento do Mercado Bitcoin (MB) mostra que 74% dos clientes têm entre 22 e 34 anos, confirmando a predominância das novas gerações nesse setor que nasceu há apenas 17 anos com o Bitcoin.
Perfil geracional
A participação de investidores mais velhos ainda é minoritária. A chamada geração X (40 a 59 anos) responde por 21% da base, enquanto os baby boomers (acima de 60 anos) representam apenas 5%. Mas quando se trata de valor médio investido, o cenário se inverte: enquanto jovens aplicam em média R$ 4 mil, os investidores mais experientes movimentam cerca de R$ 60 mil por operação — 15 vezes mais. A geração X aparece no meio do caminho, com tíquete médio de R$ 40 mil, enquanto os millennials giram em torno de R$ 18 mil.
Segundo Fabrício Tota, diretor de novos negócios do MB, os clientes mais antigos da casa se concentram nas gerações intermediárias — millennials e X. Já a geração Z entrou com mais força nos últimos anos, formada por investidores que estão apenas começando a construir suas carteiras.
Além disso, os mais jovens demonstram maior tendência a segurar ativos por mais tempo, negociando menos. Isso reflete tanto a curva de aprendizado quanto a transformação do Bitcoin, que deixou de ser apenas uma moeda digital descentralizada para assumir também o papel de reserva de valor no portfólio de muitos investidores.
Cotações no dia
No pregão desta quinta-feira (21), o mercado cripto mostrou sinais mistos:
Bitcoin (BTC): –0,07%, a US$ 113.493,18
Ethereum (ETH): +2,08%, a US$ 4.300,27
XRP (XRP): +0,42%, a US$ 2,90
BNB (BNB): +2,51%, a US$ 853,54
Solana (SOL): +2,24%, a US$ 184,64
TRON (TRX): +0,69%, a US$ 0,3530
O desempenho reflete um momento de cautela, com pressão vendedora no radar, mas também espaço para ganhos seletivos.
Notícias do setor
O mercado brasileiro de criptoativos também ganhou novidades importantes:
ETF de Bitcoin na B3 – A Nu Asset, gestora do Nubank, lançou o NBIT11, primeiro ETF do país a oferecer exposição ao Bitcoin por meio de contratos futuros negociados na bolsa. O índice de referência é o Nasdaq Brazil Bitcoin Futures TR (NQBTCBRT).
Debate sobre reservas em Bitcoin – Em audiência pública na Câmara, representantes do Banco Central e do Ministério da Fazenda rejeitaram a ideia de incluir Bitcoin nas reservas internacionais brasileiras, reforçando que bancos centrais devem priorizar ativos de baixa volatilidade para garantir estabilidade em momentos de crise.
O que esperar
Com a entrada de investidores mais jovens e a crescente sofisticação de produtos — como ETFs e derivativos —, o mercado brasileiro de criptomoedas caminha para uma nova fase. A combinação de apetite por risco da geração Z com a força de capital das gerações mais velhas cria um ambiente dinâmico que deve continuar moldando a indústria nos próximos anos.